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sábado, 21 de maio de 2016

Como fazer atividade física sem se exercitar

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Não importa o que você faça, mas, desde que você coloque o corpo em movimento com regularidade

MARCIO ATALLA
16/05/2016 - 08h00 - Atualizado 16/05/2016 08h00 
 
 
Não tenho tempo de fazer atividade física com frequência. Aos finais de semana, corro ou surfo. Durante a semana, vou a pé até a faculdade, faço uma caminhada de 30 minutos em passos rápidos. Uso as escadas em vez de elevador. Subo 20 andares por dia, divididos em três ou quatro vezes. É o suficiente para sair do sedentarismo? – Leandro Groeninga
Tenho uma notícia boa: você não é sedentário e está longe de ser! Agora, tenho outra notícia melhor ainda: você faz atividade física com frequência, sim! Se metade das pessoas fizesse o que você faz, evitaríamos pelo menos metade das mortes que acontecem por ano por conta do sedentarismo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), são 5 milhões de mortes no mundo – 300 mil só no Brasil. O sedentarismo já é considerado uma epidemia mundial. Não importa o que você faça, mas, desde que você coloque seu corpo em movimento com regularidade diária, já é o bastante. Acumular 10 mil passos, o equivalente a caminhar por 7 quilômetros, já qualifica uma pessoa como fisicamente ativa. Você é um exemplo a ser seguido: não tem tempo, mas tem vontade.
Estou com 26 anos e tenho artrite reumatoide. Faço exercício funcional com aparelhos de treinamento suspenso. Só esse tipo de exercício é eficaz para mim? – Wanessa de Araújo Silveira Facó
Você certamente precisa se manter ativa e fazer atividade física com regularidade. Os exercícios de força resistida são especialmente importantes. Os músculos ficam mais fortes para proteger as articulações. Sem tratamento adequado e sem atividade física, podem surgir deformidades, principalmente nas articulações menores, como as das mãos e  dos pés. Uma vez que isso aconteça, será mais difícil reverter o quadro. Podem surgir limitações da capacidade funcional dos membros e, por fim, a perda da autonomia para fazer tarefas diárias. O treinamento suspenso é uma excelente opção de exercício de resistência muscular. Com esse equipamento simples, há uma infinidade de movimentos que recrutam diversos grupos musculares ao mesmo tempo. É possível desenvolver habilidades mais específicas, como coordenação, equilíbrio, lateralidade. Sua escolha foi excelente e seus resultados assim serão.

http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/marcio-atalla/noticia/2016/05/como-fazer-atividade-fisica-sem-se-exercitar.html 
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Jovens que levam o celular para a cama não estão dormindo bem

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Estudo apresentado em conferência da Sociedade Britânica de Psicologia com 460 adolescentes de uma escola na Escócia mostrou que a partir dos 11 anos eles já ficam tempo demais nas redes sociais e acabam dormindo cada vez menos.

 

 

http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/cristiane-segatto/noticia/2015/09/jovens-que-levam-o-celular-para-cama-nao-estao-dormindo-bem.html 

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Como levantar o assunto ménage à trois? Qual a melhor forma de falar das fantasias sexuais com o parceiro?

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3 de outubro de 2015


fale-menage
Meninas, uma das presenças mais constantes aqui na caixa de e-mail é a cartinha pedindo uma estrada que leve do sexo normal até o paraíso da fantasia sensual.
Gente que escreve perguntando como faz pra conseguir um ménage.
Gente que quer saber como tirar o marido da tranquilidade muscular do papai-e-mamãe.
Gente que fica suada só pensando numa trepada sob a luz do sol e o vento que sopra sem paredes.
Gente que gostaria de uns carinhos na retaguarda mas tem medo de pedir.
Enfim, no fundo, é uma estrada de perdição.
+Fale com ele: Por que alguns homens ficam estranhos, calados ou querem ir embora depois do sexo?
Dia desses, por exemplo, desembarcou aqui esta mensagem:
“João, meu sonho – mas é sonho mesmo, desses que até doem, desses que já me fizeram querer até pular a cerca pra encontrar quem topasse – é transar com dois homens. Meu namorado não é exatamente um sujeito caxias na cama, ele provavelmente toparia dividir a cama comigo e mais outra (não tenho certeza), mas o meu desejo eu receio que ele jamais tope. O problema é ter essa certeza.
Porque não sei se você concorda, mas a minha impressão é de que homens pegam mal com essa tara. Duas mulheres e um cara, tudo bem. Dois caras e uma mulher, nada feito. E eu realmente não entendo qual a diferença, na prática. Tudo bem, imagino os pudores, o machismo, esse medo de ficar perto de outro sujeito nu. Mas eu sei bem que dá pra fazer sem isso. E, puxa, vontade é vontade.
Minha dúvida é: como tocar nesse assunto? E como fazer esse assunto acontecer? Porque, sei lá, acho meio triste eu ter tanta vontade e morrer com essa vontade. Sério, parece que eu só atraio namorados legais, mas normais no quesito ‘cama’. Os loucos, os trastes, esses sim parecem topar… Mas não prestam. Sinuca de bico, portanto.
Que dicas você me dá, João?”
O CAMINHO DA ALEGRIA COMEÇA NO MEDO DA ALEGRIA
Meninas, como eu disse lá em cima, as nossas grandes taras são um caminho de perdições e tormentos. O triste negócio é que esse caminho, no fim das contas, é cimentado com o nosso bizarro e quase insuperável medo de arriscar. Temos medo de julgamento. Temos medo de que o outro veja na gente aquilo que não queremos passar. Temos medo do que fazer se a coisa realmente acontecer. Temos medo de falhar. Temos medo de ficar falados. Temos… medo.
E eis o ponto essencial de qualquer tara: quem tem medo, não faz. E mesmo quem faz, tem medo.
+Fale com ele: Tenho dificuldades para gozar com penetração. Finjo que chego lá ou não?
Como é que a gente mastiga esse Tostines, então, hein?
Acho que tem uns macetes.
fale-menage2
RELAXAR E ARRISCAR
O primeiro engenho de todos é: relaxem. Sério, relaxem. Por trás de cada parede, em cima de cada cama, por baixo de todo zíper, dormem segredos e vontades que quase todo mundo tem vergonha de assumir. Quase todo mundo, aliás, é capaz de fazer muito mais do que aquilo que assume pros outros e pro espelho.
Quase todo mundo. Você não está só.
É como se fôssemos uma nação de bizarros incapazes de ver que os outros são também bizarros. E percebem a torta beleza disso? Se temos aqui, respirando sobre este solo, sete bilhões de taradinhos, temos, no fim, sete bilhões de pessoas normalíssimas. Ser bizarro é ser normal. Meu ponto: desejo sexual quase todo mundo tem o seu. E eles não são tão distantes assim uns dos outros.
Tenho uma amigo estudioso dessas coisas da mente. Trabalha deitando as pessoas no divã. Quando elas levantam, ele diz a si mesmo que dentro de todo mundo vive um sapequinha sexual capaz de aceitar, topar e viver as maiores e mais impensáveis experiências. Tudo depende de um processo de aceitação. De respeitar os limites próprios e do outro. E, enfim, de viver a vida sem o receio de esperar tanta aprovação alheia.
+Fale com ele: Qual a frequência sexual ideal? A ciência descobriu e você vai gostar
Querem saber de uma coisa: fazer um ménage em que há dois homens na cama e uma mulher fazendo sanduíche é mesmo algo que costuma assustar os machos. Mas eu diria que com tato, com a pessoa certa, investigando delicadamente o assunto, o assunto pode vingar mais do que parece. E querem saber? Muito cara até gosta de descobrir na parceira essas vontades tão desabridas. Há que ser delicado e comedido na aproximação. Mas tem que tentar.
O “não” todo mundo já tem ficando parado.
O sim só com sorte ou esforço.
O mesmo pode ser dito pra tudo que for perguntado, além do ménage: desde os dedos e os beijos em lugares obscuros até as palmadinhas. Tudo tem um lugar.
MAS COMO FAZER?
A dica inicial é a dica essencial: conversem. Puxa o parceiro de canto, num momento relaxado, naqueles momentos de tara verbal mútua, quando a gente destrava o zíper interno e quer falar de safadices. Esse é um dos processos mais divertidos de um casal que aceita a grande verdade do mundo: a graça do amor é a gente entender que todo mundo tem passado e ninguém tem posse do outro. Amor é tudo menos posse. Amor é entender e respeitar os limites alheios. Mas é também abrir uma conversa ruidosa ou silenciosa em que as duas pessoas aceitam que diante de si há alguém com vontades e desejos.
São esses casais que, aos poucos, vão soltando as iscas, mapeando aquilo que causa comichões nos países baixos. Dentro de você e do seu parceiro vive esse casal.
+Fale com ele: Os homens são realmente obcecados por sexo anal?
Um exemplo:
Conheço um amigo que se sentia o mais incapaz dos sedutores. O sonho dele era transar com a mulher e uma amiga. Mas era um sonho dividido entre ele e ele mesmo. Nunca foi capaz de dizer. Na realidade que ele pintou na própria cuca, dizer isso à esposa seria ofender a esposa. Seria ainda mais: seria trair a esposa. Pior: nesse desenho que ele fez da esposa, a esposa era quase virginal, um montezinho de pureza e no máximo um 69 no sexo.
Até que um dia, depois de uma festa de casamento, os dois tomaram um porre. E tomaram esse porre com a amiga junto. O porre evoluiu pra uma conversa franquíssima sobre os calores sexuais. Quando raiou o dia, os três trocaram beijos. Despediram-se. Meu amigo e sua esposa pra um lado, a amiga pra outro.
Nesse dia, amigo e esposa, enfim, conversaram. Descobriram, alegres e meio assustados, que dentro de cada um respirava alguém que eles desconheciam. E aquilo que parecia tabu era, na real, um irrefreável desejo mútuo e silencioso. Em pouco tempo, a cama dos dois ganhou o peso de mais uma. E foram felizes por alguns dias e várias horas.
UMA CONCLUSÃO
Meu ponto, meninas, é: estamos deixando e viver coisas por medo de viver coisas.
Minha dica é: conversem. Sutilmente, soltem as migalhas do assunto.
Como disse acima: na hora em que você se sente mais aberto e percebe a abertura no parceiro, eis a hora de soltar esses farelos.
Depois, sinta. Sinta a reação. Muitas vezes, o outro demora a destravar. Mesmo no campo das hipóteses. É sempre bom lembrar que o outro é um espelho distorcido da gente. Vive os mesmos dilemas, moldados à maneira dele. Alguém só precisa quebrar o gelo.
+Fale com ele: Quando a gente se dá bem em tudo menos no sexo, tem jeito? É normal eu gostar muito de sexo frenético?
O grande truque é mostrar que o seu desejo é também uma fonte de prazer pro outro: que fazer o outro feliz é te fazer feliz. Que ampliar os horizontes, até o limite em que o horizonte não machucar o desejo vertical do parceiro, é o melhor jeito pros dois.
Mas acima de tudo, escute. Faça dessa conversa uma troca. Deixe aberto o campo pra que o outro também possa realizar ou falar com você aquilo que ele guarda dentro de si. Esse é a trilha do sucesso: quando a gente sente que a parceria na cama é total e em duas vias, fazer o desejo do outro é fazer o nosso próprio desejo. A gente acaba contaminado pela euforia de uma vida mais sapeca.
Respeitar os receios, lidar com os medos, fazer da tara sexual uma história que começa nas travas, mas caminha junta para uma descoberta, essa é a grande estrada que liga a fantasia à mais suada e alegre realidade.
Arrisquem.

http://colunas.revistamarieclaire.globo.com/falecomele/2015/10/03/como-levantar-o-assunto-menage-a-trois-qual-a-melhor-forma-de-falar-das-fantasias-sexuais-com-o-parceiro/
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O que fazer quando ele quer saber sobre o meu passado amoroso e sexual?

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14 de maio de 2016

relacionamentos-passados
Meninas, às vezes os tempos são duros. Tão duros que fazem a gente esquecer o passado. Repetir o passado. Mas no amor é diferente. No amor, escapar do passado, mantê-lo sossegado num cofre só seu, esse é o bom passado. Soterrado num conveniente silêncio.
Veja, por exemplo, esta carta:
“João, meu namorado perguntou sobre se tive algo com um fulano que ele sabe ser meu amigo bem próximo. Claro, tive sim algo com ele. Mas o que eu faço? O que deveria fazer? Conto? Qual a resposta certa? O que ele ganha sabendo disso? Eu enrolei e menti. Disse que não. Mas tou bem incomodada com isso. Queria entender a motivação disso. Fiquei um pouco irritada com ele. Mas também irritada comigo. Por que deveria me sentir mal por algo que aconteceu quando eu nem conhecia meu namorado?
+ Sexo casual: por que receber uma proposta assim te ofende?
O negócio é que já vivi esse tipo de experiência de contar o que fiz e o que deixei de fazer. Sempre, sempre, sempre que fiz isso… ‘deu ruim’. Eu até entendo a curiosidade. É uma curiosidade masoquista. Não vou mentir que já perguntei sobre o passado dos meus ex em antigos relacionamentos. Sei como é viciante. Só que, sinceramente, aprendi na marra que isso não ajuda em nada. Você carrega uma sombra de coisas que não viu. E aquilo que você não viu é quase sempre mais forte, intenso, doloroso do que o fato foi.
Sei lá. Detesto abrir essa porta em mim e no outro. Você sempre quer saber mais. Nunca acaba. E depois que sabe, as coisas mudam. Minhocas lotam a cabeça da gente.
Enfim, eu acho que o passado deveria ser guardado numa tumba. Só que como dizer isso ao outro sem parecer que quero esconder por algum motivo especial? Fico no dilema: conto sobre o que ele me perguntou? Conto um pouco? Me recuso? Ou minto de novo? ”
+ 5 dicas para fazer o sexo durar mais (e entender quando ele dura pouco)
UMA RESPOSTA SEM RESPOSTA
Moças, acho que a gente não deveria contar. Conviver com os segredos do outro, conviver com as experiências do outro é um sinal de amor. Querer mapear aquilo que foi e não é mais, por qualquer motivo, é uma espécie de posse. Não de amor. Embora amor e posse se misturem o tempo todo, são coisas diferentes.
Percebam, meninas: contar pra quê? Contar por quê? Contar o quê? Que tipo de satisfação a gente pode tirar dessa coisa de engordar a curiosidade do outro? De fazê-lo viver por procuração da recriação daquilo que ele não viu? Aquilo que, por definição, machuca tanto a gente?
+ “Escrevi um post falando mal do meu ex. Fui apoiada e criticada. Errei?”
Ah, meninas. Eu sei que mora dentro de cada um de nós um sofredor. Um estômago com fome de paranoia. A dor faz as coisas andarem. De um jeito torto, mas faz. Preenche de sentido. Ocupa o vácuo que é viver.
E eu sei também que no mundo perfeito, feito de doce, tangerina e alegria – um mundo que não existe –, a gente defenderia o dever de que aceitar completamente a folha corrida do parceiro é o caminho do amadurecimento. Mas reparem: somos eternos meninos e meninas no amor. Amadurecer – ao menos por agora – é envelhecer o amor. Nascemos e crescemos num mundo, numa arena em que enxergamos gostar de alguém como pertencer a alguém. E é aí que a maionese do amor desanda numa necessidade de controle.
Moças, a vida é maionese, não é doce nem muito alegre. E que amor é um sentimento imenso, confuso, incrível, mas meio maluco. É tão difícil dividir…
+Relacionamento: por que brigar pode ser bom?
UMA SOLUÇÃO
Garotas, cheguemos a uma conclusão: não, não pergunte sobre o passado do seu parceiro. Nem responda. Você dirá: “Mas como, João!? Como não dizer nada quando ele pergunta?”.
Eu direi: não dizendo. Ou melhor, dizendo a ele que você não dirá. Não por uma questão de medo ou vergonha. Por uma questão de amor. Por uma questão de evolução de amor. Por uma questão de individualidade. A nossa inexorável individualidade. A nossa eterna solidão. A gente precisa guardar e cuidar das nossas memórias, das nossas vidas passadas. Dos nossos amores que evaporaram.
Porque certos tipos de assuntos, assuntos internos, você e eu precisamos encarar de frente. Combinar com o espelho. E, então, explicar ao outro sem rodeios. Voto pelo “não” ao dizer tudo.
+Relacionamento aberto: como lidar com essa ideia?
Meninas, eu sinceramente acho que quando a gente começa a relatar ao parceiro aquilo que não fará diferença nem bem a ele (mesmo que ele infantilmente insista), quando a gente topa fornecer uma dose irresistível de paranoia. Dose que consegue tudo menos coisas boas. Já disse no alto e repito aqui embaixo: buzinar as verdades que ferem o ouvido do outro é botar o relacionamento num processo de crime e castigo quando não houve nenhum crime nem responsabilidade nem erro.
Portanto, se o namorado começar a vasculhar aquilo que passou e como se passou com outros, não desconverse. Mas não responda. Ao menos não o que ele quer. Diga a ele que não faz sentido. Que passado todo mundo tem. Que todo mundo deveria guardar um cantinho seu. Um pedacinho de vida que mora lá atrás. E sigam em frente. Seja curta ou longa, não seja grossa, mas seja firme.
E que em cada amor caiba exatamente o amor que o casal constrói.
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Quais são os 10 erros mais comuns que você comete na hora do sexo?

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31 de outubro de 2015

fale-erros
Meninas, dia desses uma amiga trouxe no celular umas anotações. Ela tinha acabado de sair de um evento e uma das atrações ali tinha sido um bate-papo.
“Vem cá ver, João”, ela disse.
Eu fui e vi. Na telinha, em pontos, ela batucou umas dicas, uns temores, uns defeitos que os homens vem cometendo na hora do sexo.
“Acho que pode te ajudar a escrever algo”, disse a amiga.
Concordei.
Nesse evento que minha amiga carimbou com a presença e com o dedinho anotador no celular, as moças sentadas sobre o palco (tinha atriz, tinha psiquiatra, tinha psicóloga, tinha blogueira e mais grande elenco) levantaram uns tantos pecados que os homens cometem na cama e não sabem.
Ela me disse alguns deles.
Por exemplo:
“João, você sabia que as mulheres, em geral, acham que a maioria dos homens vem mandando mal ou mais ou menos no sexo?”
Eu não sabia. Mas imaginava. Os tempos andam estranhamente estranhos.
Fale com ele: Sinto tédio no meu relacionamento. É sinal de fim? Como lidar com esse tipo de insatisfação?
Ela prosseguiu:
“Muitos homens pensam que transar com uma mulher é tipo… Tipo um ENEM. Um ENEM solitário. Que a meta é pontuar. Que a meta é fingir saber aquilo que não sabe.”
Achei a comparação interessante e pedi mais. Ela deu:
“Sabe aqueles caras que encaram o amorzinho suado como se fosse um teste, uma prova, uma avaliação de desempenho?”
Eu disse que não sabia, mas imaginava.
“Pois então. Parece que cada vez mais ou homem tá dividido entre ser um cara que tem algo a provar ou que… tem medo”.
Meninas, vejam se vocês não concordam com a minha amiga:
“João, esse caras, na hora de transar, querem cumprir tipo um ritual, sabe? É como se o sexo deixasse de ser um encontro em duas pessoas que se conhecem em pé e agora vão se conhecer deitados. Uma conversa deitada. Pra mim, o sexo é isso. Então, deveria poder caber no sexo o erro, a preguiça, o dia bom, o dia ruim. Mas não. Tem tanto cara repetindo essa coisa de redes sociais, de vender uma imagem de perfeição, de botar filtro nas experiências, que, repara: na cama eles querem tentar de tudo, um monte de movimentos, de barulhos, de preocupações… Mas é tudo meio vazio. Meio egoísta. Como se a trepada fosse uma conquista que eles desenharam na própria cuca. E isso quando o cara ao menos se preocupa… Tem uma parte de vocês que acha que transar é só penetrar, que acha que pra fazer a gente gozar é só praticar um sexo oral em que a língua parece um amolador de faca. Fora aquele mala que tá mais preocupado em saber se você gozou não porque pra ele é importante você gozar, mas porque você gozar é um sinal de que ele manda tão bem quanto acha que manda…”
Fale com ele: Dez coisas que mulheres fazem na cama e são a mais pura alegria dos homens
Enfim, ela foi ao finalmente:
“Sei lá, João. Eu sei que parece exagero. E que muitas vezes esse mesmo cara que um dia mandou mal, foi egoísta, às vezes manda bem. E que o mundo é complicado. Mas é que eu realmente venho notando uma espécie de insegurança segura dos homens diante da gente na cama. E queria saber o lado de vocês… O que é que a gente faz numa trepada que vocês não gostam (até porque, outro coisa de vocês homens: por que é que vocês não falam mais sobre sexo com a gente?)?”
Meninas, eu pensei e fui atrás da resposta com amigos.
Dessa pesquisa, extraí uma listinha.
Esta:
DEZ COISAS QUE MULHERES FAZEM ERRADO NO SEXO
1-PAU NÃO É DE PAU
Os homens mandaram avisar que vocês deveriam encarar o bastonete que eles trazem debaixo da cueca como aquilo que é: carne, pele, e não madeira e ferro. Um dos maiores traumas masculinos (e, de fato, vocês têm razão, meninas: homens aguentam isso calados) é encarar a mulher que vê o pau como se pau fosse. Aquelas que apertam, aquelas que puxam a chapeleta (conhecem a chapeleta? É a pelezinha que cobre a cabecinha) lááá pra baixo, aquelas que manejam como se abrissem um pacote de sorvete com a maior das pressas… Pois saibam, o sorvete derrete.
2- A COMPLEXIDADE DE UMA BROXADA
Moças, ainda na mesma cama temática, anotem: a cada 7 broxadas, 6 são culpa do universo. O que quero dizer com isso é que, quando um homem afrouxa, geralmente o motivo é um pacote de motivos. Tem um pouco a ver com algo que você fez e ela não gostou? Pode ser. Tem a ver com ele ter se decepcionado com você pelada (um medo, me sopram aqui as mulheres, que muitas de vocês têm)? Raramente. Homens são realmente meninos eternos, sempre numa empolgação maluca diante de uma nova nudez. Portanto, tem muito menos a ver com vocês do que parece. Sério, se tem uma coisa que irrita um rapaz é quando ele percebe que na hora em que ele falha, você, moça, tá mais preocupada com o que isso quer dizer sobre você, moça, do que com o tormento que é esse momento pra ele, moço. Ou seja, meninas, ou seja: quando ele falhar, saibam que provavelmente uma tonelada de coisas aconteceu num espirro (e saibam mais: às vezes, é mesmo um espirro d’alma: cansaço derruba poste. Não é necessariamente lorota do rapaz quando ele diz que tá nervoso, tenso, com vergonha. O motivo quase sempre é um desses aí mesmo, aliás). E saibam ainda mais que, quando ele falhar, outras duas toneladas de coisas e tristezas surgirão na cuca dele. Por dentro ele está menor e mais frouxo que o pinto.
+Fale com ele: Como levantar o assunto ménage à trois? Qual a melhor forma de falar das fantasias sexuais com o parceiro?
O sonho de um rapaz: uma parceira que na hora da pane, lide com a pane como ela é: aconteceu, resolvamos juntos, no tempo certo. Sem pressa, sem cara feia ou triste. Acontece com todo rapaz e é normalíssimo. Ah, sim: um adendo. Muitas vezes quando o cara goza rápido demais ou falha, isso é até uma espécie de elogio torto e mole: ele tá tão pilhado, com tanta vontade, ou tão impressionado, que o sistema aqui entra em colapso. Uma boa broxada é uma belíssima chance de viver uma belíssima alegria. Basta relaxar. Você e ele, aliás. Os dois.
PS: O RITMO DA TRANSA
Ao contrário do que muita gente pensa, nem todo homem gosta de uma trepada britadeira. A gente também curte devagarzinho, e rápido, e mais ou menos. Às vezes, depende do dia, uma coisa ou outra. Às vezes, depende do gosto, e a vontade é sempre a mesma. Às vezes, depende do encaixe com você. Enfim, depende. Agora, uma coisa complicada é você esquecer, como vou explicar no próximo item, que homens são capazes de gozar 45 segundos depois do primeiro beijo. E que a gente briga a paulada com a própria cuca pra coisa durar. Sobretudo quando é boa. E que, portanto, prestem atenção no nosso ritmo também. Quando a gente dá aquelas paradinhas no meio, nem sempre é cansaço. Às vezes é só um fôlego mental pra não desembestar numa subida linda ao pico da alegria melada aos 45 segundos do primeiro beijo.
PS2: MAIS UMA COISA SOBRE O RITMO DA TRANSA
Meninas, sei que algumas de vocês sentem mais prazer quando a trepada é num ritmo de bicadas de pica-pau. Uma coisa velocíssima, sem parar, por minutos. Mas saibam: isso aí é legal, a gente curte, mas isso também cansa, machuca as pernas, dói as costas, o pulmão cresce, os braços tremem. Não esqueçam disso: ao contrário daquela mágica maratonista dos filmes intensamente sensuais, na vida real há câimbra, torcicolo, estiramento e falta de fôlego. Nem sempre a trepada britadeira é a grande trepada. E tenham pena do rapaz se ela durar muito. Aceitem um descanso, se ele pedir. Mudem de posição também. Dividam o exercício. Arrisquem de mais jeitos.
3- GOZAR JUNTOS
Taí um mito. A gente, sei lá por qual diabo, inventou essa de que gozar junto é o ápice, o cume, a copa do mundo, o troféu, o rojão, o sinal de perfeição entre um casal. E querem saber? Groselhas! Quando a gente goza junto, daquele jeito especial e raro, é uma beleza, não nego, quero mais. Mas esqueçam dessa pressão. Se não der, não deu. Prometi lá em cima que ia explicar, agora explico: anotem: em geral, um homem é capaz de gozar literalmente 45 segundos depois de começar uma trepada. A nossa luta, a cada boa transa, é a luta de fazer a coisa durar um tempo bacana pros dois. Saibam disso, anotem de novo isso. Portanto, quando vocês quiserem gozar, gozem. Quando sentir que o ápice tá chegando, deixa ele saber, pra que o rapaz possa segurar ou liberar os ponteiros. Agora, quando você perceber que ele tá quase lá, fica tranquila também. Deixa rolar. Não sei por qual diabos a gente inventou que quando um goza primeiro as coisas meio que acabaram. O bom sexo começa, para, volta, dorme e acorda…
fale-erros2
4- O SILÊNCIO, O SONO, SOLIDÃO PÓS COITO
Um ponto delicadíssimo da alma masculina é este ponto 4. Eu sei que é duro de vocês aceitarem, mas muito homem, dependendo do dia, depois do sexo, nossa, bate um não sei o que, um não sei por que, um troço tão maluco: uma vontade de ficar sozinho, de ir embora, de dormir, de silenciar, como se o destino e o próximo passo dele pertencessem mais à lua do que àquela cama. Algum cientista certamente haverá de saber o motivo químico disso, mas saibam o motivo anímico: tem dias em que a gente fica mesmo estranho, quer ficar só. E não é por mal (tá, se for sempre, aí é malandragem. Só que muitas vezes, não é.).
5- SEXO EM ROTINA E COM PREGUIÇA
Tudo bem que no cartório, a frase aí de cima traz a nossa assinatura reconhecidíssima: homens são igualmente morosos e acomodados. Mas vamos dividir esta missão: tentemos, pois, não deixar as coisas esfriarem na repetição eterna da posição de sempre, da falta de vontade, de esperar do outro aquilo que não fazemos. Se tem uma coisa que entristece um homem é notar que a companheira entra na transa como se cumprisse um ritual: o mesmo papai-e-mamãe semanal, ou a posição que for mais confortável pra você toda vez; a pouca empolgação, a pouca surpresa, a pouca iniciativa.
+Fale com ele: Por que alguns homens ficam estranhos, calados ou querem ir embora depois do sexo?
A gente sente quando sabe que você sabe que gostamos de tal coisa, e a tal coisa nunca mais aparece na cama. E mais, moças: homens, ao contrário do que muita gente boa imagina, gostam de iniciativa. Gostam de perceber uma taradice vinda da sua parte, de vez em quando ou toda vez. Tenho um amigo. O sonho dele é que a namorada um dia repita uma manhã em que ela o acordou com a boca dela nos baixios dele. Ele não esperava, ele adorou aquilo, ele nunca mais viveu aquilo.
Claro, todo mundo pode ser razoável e entender o básico do mundo: nem sempre dois querem as mesmas coisas ao mesmo tempo. Mas quando há exagero no desacordo, na distância dos quereres, na apatia, a gente aqui sofre. Vocês aí sofrem.
6- BEIJO MECÂNICO
De novo, tem muito homem que faz isso também, então podem ficar tranquilas, uma fatia desse problema é nosso. Mas tem poucas cosias mais morrinhas do que a mulher que beija com preguiça. Sabe? Aquele beijinho de quem beija a testa de uma estátua. Ah, moças, todo rapaz sente falta daquele beijo cheio de profundidades, como se vocês estivessem selando uma carta com a língua. Não desistam desse beijo.
7- NÃO AVISAR
Se tem uma coisa que você precisam saber é que, na cama, a gente só finge controle. Todo homem, no fundo, é perdidaço quando amassa o lençol. Ele não faz ideia se você tá realmente gostando, quanto tempo falta pra você chegar lá,  se é que você vai; e se você curte mais assim ou se tá ficando assado.
O lance: a gente tenta, de todo jeito, ler o que você diz e o que você não diz. Mas o ponto é que não fazemos ideia, em mais de um sentido, qual é a língua feminina do sexo. Todo homem é quase um analfabeto sensual. E cada um de nós sente vergonha disso.
+Fale com ele: Tenho dificuldades para gozar com penetração. Finjo que chego lá ou não?
Mas vocês podem ajudar com esse idioma tão estrangeiro. Homem não se incomoda quando é avisado de uma gozada iminente. Ao contrário, ele gosta. E, mais ainda, homem não se incomoda se você explicar pra ele que quando você diz que a gozada é iminente, ele não precisa imitar o filme pornô (essa grande e fajutíssima escola masculina) e acelerar os movimentos como se fosse um DJ André Marquesiano num frenesi de toca-discos praiano. Explica pra gente que é só manter o ritmo. Fala gemendo. Geme falando. Mostra qual que é o caminho, o que funciona, o que é desastre.
8- O SILÊNCIO
Meninas, a gemida tá liberada. Falar besteira é legal. Não ter vergonha é uma felicidade. Evidentemente, fazer tudo isso como se fosse uma performance, não precisa. Homens sentem quando vocês fingem. Mas quando vocês tiverem vontade de soltar o grito, falar um monte de coisa só com vogais, pedir não sei o quê, peçam, digam, soltem, gritem. Não tem coisa mais medonha que mulher que não reage, não emite sinal. Não tem coisa mais legal do que mulher que se entrega praquilo que quer. A gente embarca feliz.
9- NOJO
Tá, eu sei que tem universos todos de homens que também exibem a mais bisonha das travas: o nojinho de fazer isso ou aquilo. Mas também tem muita moça que faz o mesmo. Meninas, meninos: sexo é melado, suado, é pouca coisa diferente, em termos de cheiros, do que jogar uma pelada ou participar de uma maratona. Evidentemente, a higiene básica é exigência básica. Mas tem pouca coisa mais medonha do que o pessoal que exagera, que esquece que, diabos, sexo é o contato mais próximo, íntimo e cremoso entre dois corpos. Cheiro faz parte. Nojo não.
10- MEDO
Meninas, essencialmente, o maior medo dos homens é perceber que vocês não estão com tanto medo do que eles. E a verdade, eu sei, é que você também estão. Eis a grande ironia das coisas: fingindo rir, fingindo segurança, aqueles dois corpos pelados ali escondem um mundo todo de vontades e possibilidades e inseguranças.
Agora, a solução é mole e dura: basta a gente aceitar que sexo pode ser atrapalhado e pode ser tudo mais: pode ser bom, pode ser ruim, estranho, perfeito, inesquecível ou bizarro. Porque na vida, meninas, vejam só que coisa: tem dias que ela, a vida, é boa, mas tem dias que ela, a vida, é ruim, bizarra, torta, fácil, inesquecível…
+Fale com ele: Qual a frequência sexual ideal? A ciência descobriu e você vai gostar
Enfim, quero dizer que se a gente entrar numa trepada aceitando que não sabe, aceitando que aquele encontro ali é único, que é uma conversa meio muda, meio falada, meio suada entre duas pessoas conhecendo e dividindo aquele momento, isso pode ser a coisa mais divertida do mundo.
Desde que não depositemos no outro os temores que são nossos, desde que dividamos com o outro aquela história contada ali de cima por suores, dedos, extremidades, línguas e gemidos, desde que não esqueçamos disso tudo, se a gente se permite a fazer o que quer, a pedir o que quer, a ouvir o outro, a embarcar na onda do outro, puxa vida, que coisa torta, estranha e maravilhosamente sem igual é o sexo.
Não tenham medo de pedir e de fazer aquilo que o outro, dando abertura, conversando com palavras ou vogais, topa fazer. Façam. Cada trepada é sempre uma história. Basta querer ouvir e contar e escrever e repetir e falhar e tentar e mudar.
Sexo é só sexo.
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Quero transar com outras pessoas, mas não quero me separar. O que eu faço?

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Cena do filme "Os Sonhadores", de Bernardo Bertolucci, de 2003
Cena do filme “Os Sonhadores”, de Bernardo Bertolucci, de 2003
Meninas, a vida, sem um pingo de dúvidas no meio do caminho, é qualquer coisa. Quem respira – você e eu – precisa escolher. Não há moleza na vida. Olhar prum lado é deixar de ver tudo o que está ali pela nuca. Uma girada qualquer contém a escuridão daquilo que abrimos mão de enxergar.
Esse, moças, é o tom da dúvida de hoje:
“João, eu sou tipo casada há 5 anos. De uns tempos pra cá, eu venho sentindo muita falta de transar com gente diferente. Eu acho que todo casal, de algum jeito, enfrenta essa sombra. Mas comigo o negócio está bem forte. Eu sei também que é um clichê, mas a coisa que mais bate é que eu tou com saudade daquela trepada sem preguiça, das surpresas, do fôlego que dura a noite toda, de ouvir uma gemida diferente… Sei lá. Eu sei que todo mundo vai no mínimo lembrar como é um pouco viciante aquela sensação de novidade.
Mas aí eu olho pro lado e vejo o amor da minha vida…
João, ele é o homem da minha vida. Amo, gosto, companheiro, transa legal… Só que não consigo tirar de mim essa vontade de experimentar mais coisas… Como é que a gente lida com isso? Como é que a gente não se sente um verme com isso? Por que é que as coisas são assim? Eu sei que se descobrisse nele esse mesmo impulso, acho que me incomodaria. Ou talvez não agora, já que sinto a mesma vontade. Mas é confuso. Estou bem confusa. Queria entender se existe alguma possibilidade de ter as duas coisas… E que escolhe eu deveria fazer, caso não haja?”
AS MUITAS ESCOLHAS A CADA ESCOLHA
Meninas, a escolha certa eu não sei dizer. Nem acho que exista. Mas eu sei entender o impulso que moveu ao teclado o dedinho de moça aí de cima. Difícil a questão. Porque tirando todos os preconceitos e juízos dessa moralidade meio de fantasia que a gente abraça e amarra ao amor, a verdade é que a carta acima, em algum momento, diz, disse e dirá muitas coisas a cada um de nós. Todo mundo aqui e aí já foi um pouco essa carta.
Eu poderia até me repetir ali em cima e dizer que vida é escolha. Então, basicamente, se você quiser a resposta básica, ela seria: escolha. Decida. Não dá pra ter tudo. Uma coisa ou outra.
Mas talvez, pensando bem, a solução pode se encontrar num meio do caminho. Talvez exista outras e novas formas. Talvez dê pra ter uma coisa e outra. Sei lá, eu talvez queira dizer hoje algo um pouco diferente.
Talvez, por fim, eu queira mesmo é levantar a tampa e deixar sair um pouco do que há escondido nesse pote chamado amor.
O QUE É CERTO, O QUE É ERRADO?
Eu acho, moças, que a gente criou uma bela e dolorida armadilha quando a gente criou essa imagem do amor que dura pra sempre. Ou melhor, quando a gente criou essa imagem do amor que é sorriso, exclusividade e conexão eterna. Assim, tudo o que não for isso, é fracasso.
Ao criar o amor perfeito nós nos condenamos ao fracasso perfeito. Nunca fracassamos em fracassar.
Nossa história é a história de desejar o máximo fazendo o mais ou menos.
Porque, pra completar, nós acreditamos que amor é posse. Achamos que é um acerto entre duas pessoas em que cada uma das partes espera do outro aquilo que ela, no fundo, imagina ser o outro. E é assim que começamos a naufragar: ninguém pode cumprir o ideal que esperamos do parceiro. Ele sempre será a sombra daquilo que imaginávamos que fosse. Ele sempre será uma farsa, um engano. Depositamos, assim, no nosso amor um fiasco que, no fundo, é culpa nossa.
O ponto é que estes nossos tempos, cheios de dúvidas, golpes que a vida nos dá, e redes sociais como um espelho daquilo que gostaríamos de ser; estes tempos deixaram tudo meio com cara de um teatro em que dá pra ver lá atrás o ator se maquiando. Cada dia mais o amor perfeito tem a cara do photoshop mal feito.
UMA FIDELIDADE DE ARAQUE
Meninas, você e eu nascemos acreditando num amor ideal que parece, cada dia mais, um amor meio fajuto, irreal, dolorido. Exigimos do outro aquilo que não queremos nem podemos dar ao outro.
Evidentemente, nas fases em que as coisas vão bem, em que a gente se sente inteiro ao lado do outro, qualquer coisa além disso soa como bobagem e fraqueza. Ficamos ofendidos diante de qualquer desconfiança sobre a perenidade do casal. Mas se nós somos essas pessoas seguras às vezes, nós certamente voltaremos a ser as pessoas que duvidam daquilo ali mais tarde.
A gente duvida da gente o tempo todo, garotas. Nossa vida é ciclo, alto e baixo, mais baixo que alto.
Somos mil e dois. Às vezes no mesmo dia.
O que eu quero dizer com isso é que em algum momento vamos chegar a uma crise existencial de amor. Vamos ter de encarar isso. Vamos precisar repensar se essa coisa de que amor é um contrato de almas que se encontram ainda vale. Será possível, num mundo de Tinders, Snapchats, nudes e ZapZaps secretos, crer que o amor é só essa coisa Doriana, estável, ensolarada? Ou será que o amor, apesar de Tinders, nudes, Snaps e Zaps, será a única força capaz de resistir a todo tipo de tentação da carne?
Eu não sei ainda dizer. Talvez nunca saiba. Mas gosto de acreditar que o amor é as duas coisas, depende do dia, do mês, da fase.
Por isso, diante da confusão sem fim, alguns conselhos práticos.
CINCO CONSELHOS
O primeiro deles: cada casal sabe o acordo que funciona e não funciona. Se não sabe, deveria descobrir. Às vezes, esses acordos são silenciosos. Tenho um amigo que gosta de contar o seguinte: ele e a mulher nunca disseram isso às claras, mas aos poucos, em tom de brincadeira, combinaram algo sério. Basicamente o acerto deles é: cada um faz o que quer, desde que faça dum jeito a não deixar o outro saber o que fez. O que o olho e o ouvido não sabem, o coração não sofre.
O segundo conselho: tente entender e respeitar o olhar do parceiro em relação ao tema fidelidade. Se o que você sente fere aquilo que o outro espera de você, o ideal é você aceitar isso e partir pra carreira solo, sob o risco de machucar a si mesma e ao parceiro depois. Depositar no outro uma mudança que deveria ser sua é covardia.
O terceiro conselho: se o casal tiver uma liberdade mais evoluída, vale conversar. Uma dúvida é uma dúvida. E pode ser resolvida a dois. Talvez esteja na hora de a gente parar de fazer como as crianças fazem: tapar os ouvidos e os olhos pra o fato de que todos nós, sem exceção, em menor ou maior intensidade, em algum momento, pensará ou sentirá algo por alguém diferente, novo. E se assim é, por que um casal mais aberto não poderia ao menos discutir a respeito?
O quarto conselho: se o desejo de pular a cerca for incontornável, às vezes é melhor abrir oficialmente a porteira, conversando com o parceiro, pedindo um tempo, terminando, investigando esse desejo. É pesado, rende uma confusão dos diabos, mas deixa as coisas às claras. Evidentemente, no mundo ideal, a gente poderia voltar pro antigo amor quando o desejo esfriasse. O amor esperaria. Evidentemente, quase nunca isso acontece. Mas, enfim, talvez esse tipo de sinceridade seja inescapável.
O último conselho: uma amiga já me disse que quando ela realmente sente um tesão incontrolável, ela vai lá e faz, mais ou menos na linha do que o meu amigo do conselho número um faz: a única regra que ela se impôs (porque ela nunca nem sugeriu isso ao namorado) é ser discreta e não deixar o companheiro saber. Em troca, ela também finge que tudo bem qualquer desconfiança que ela tiver em relação a ele. Ou seja, ela diz que se tornou mais leve. Ela matou o ciúme no relacionamento. Explica a amiga que depois de começar a fazer isso, o namoro se tornou mais leve um paraíso de água calmas (antes era tenso e por um fio). Claro, às vezes bate o medo de que ela seja descoberta. Mas tem dias que ela desconfia que ele até sabe, mas viu que esse arranjo manteve os dois juntos e felizes. A santa e conveniente ignorância.
Portanto:
Não há solução. Eu sou a favor dos arranjos possíveis e de viver as confusões a pleno. Acho que o amor foi criado pra ser irreal e ser descoberto. Que entre duas pessoas cabe qualquer acerto. E desacerto. Porque o amor, no fim, ao ser insanamente confuso e com uma aura de eternidade, preenche a nossa vida, numa jornada sem fim rumo a uma coisa sem fim. Isso também é libertador: porque o certo e o errado dependem muito.
Se estamos fadados a falhar, estamos fadados a começar de novo.
Meu ponto: não machuque o parceiro. Se o seu desejo é muito forte, e você sabe que o seu namorado não toparia o jogo de ciscar aqui e ali, seja forte, não machuque o sujeito. Amor da vida ou não. Porque cuidado: às vezes a carta “amor da vida” é só um macete pra gente não abrir mão de alguém. É egoísmo.
Seja levando as coisas em silêncio seja puxando o fôlego, terminando o relacionamento e vivendo a aventura que for pra viver, é você quem decide.
Amor da vida ou não, a vida é isso, 50% de nada, 50% de tudo.
A fórmula de um é o erro do outro. Cada casal contém a própria solução.
Arrisca.

http://colunas.revistamarieclaire.globo.com/falecomele/2016/05/21/quero-transar-com-outras-pessoas-mas-nao-quero-me-separar-o-que-eu-faco/
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Estágio em Alagoinhas

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Seu celular está deixando você gordo

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Estudo demonstrou como a luz azulada da tela do celular pode arruinar seu metabolismo
Por Fábio Marton Atualizado em 20/05/2016
tela do celularOcusFocus | iStock
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Não é só pela má influência de Candy Crush: seu celular - e também a tela do computador e as lâmpadas da casa - podem prejudicar seu metabolismo e causar ganho de peso. Um estudo da Northwestern University revelou que a exposição à luz branca intensa faz com que o corpo tenha dificuldades em remover o excesso de glicose do sangue. A consequência disso é conhecida: acumulação de gordura e risco de diabetes.
Os 19 voluntários, todos adultos saudáveis, foram expostos a dois tipos de luz: "intensa", enriquecida com a parte azul do espectro, e "fraca", avermelhada, como a das velas e lâmpadas incandescentes. Em ambos os grupos, uma parte ficava no ambiente iluminado no café da manhã ou no jantar. Todos os que receberam a luz intensa apresentaram resistência à insulina, fazendo a glicose acumular, mas era bem pior para os que a recebiam à noite.
LEIA: Da célula ao celular
"Nossas descobertas mostram que a insulina se tornou incapaz de baixar a glicose até o nível normal após uma refeição com exposição à luz intensa na noite", afirma a neurologista Ivy Cheung,  autora do estudo. "Esses resultados enfatizam a ideia de que a iluminação do ambiente tem impacto na saúde."
Outros estudos já provaram que essa mesma luz branca azulada também está relacionada a outro problema: a insônia. A produção de melatonina, o hormônio do sono, despenca após a exposição das pessoas a esse tipo de luz. E dormir mal, vejam só a encrenca, também causa excesso de peso.
Luzes fluorescentes brancas e de telas de LCD, como TVs, monitores e celulares, produzem a luz branca azulada. Para se proteger do problema, compre lâmpadas de cor quente (amarelada) e instale aplicativos como o f.lux, que mudam a cor das telas durante a noite.
LEIA: Sono: a fonte da juventude

Ciência Smartphones Saúde e Corpo Humano Seu celular está deixando você gordo 
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domingo, 26 de abril de 2015

A História da Escravidão Negra no Brasil

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Escravidao-negra-no-Brasil
A escravidão pode ser definida como o sistema de trabalho no qual o indivíduo (o escravo) é propriedade de outro, podendo ser vendido, doado, emprestado, alugado, hipotecado, confiscado. Legalmente, o escravo não tem direitos: não pode possuir ou doar bens e nem iniciar processos judiciais, mas pode ser castigado e punido.
Não existem registros precisos dos primeiros escravos negros que chegaram ao Brasil. A tese mais aceita é a de que em 1538, Jorge Lopes Bixorda, arrendatário de pau-brasil, teria traficado para a Bahia os primeiros escravos africanos.
Eles eram capturados nas terras onde viviam na África e trazidos à força para a América, em grandes navios, em condições miseráveis e desumanas. Muitos morriam durante a viagem através do oceano Atlântico, vítimas de doenças, de maus tratos e da fome.
Os escravos que sobreviviam à travessia, ao chegar ao Brasil, eram logo separados do seu grupo lingüístico e cultural africano e misturados com outros de tribos diversas para que não pudessem se comunicar. Seu papel de agora em diante seria servir de mão-de-obra para seus senhores, fazendo tudo o que lhes ordenassem, sob pena de castigos violentos. Além de terem sido trazidos de sua terra natal, de não terem nenhum direito, os escravos tinham que conviver com a violência e a humilhação em seu dia-a-dia.
A minoria branca, a classe dominante socialmente, justificava essa condição através de idéias religiosas e racistas que afirmavam a sua superioridade e os seus privilégios. As diferenças étnicas funcionavam como barreiras sociais.
O escravo tornou-se a mão-de-obra fundamental nas plantações de cana-de-açúcar, de tabaco e de algodão, nos engenhos, e mais tarde, nas vilas e cidades, nas minas e nas fazendas de gado.
Além de mão-de-obra, o escravo representava riqueza: era uma mercadoria, que, em caso de necessidade, podia ser vendida, alugada, doada e leiloada. O escravo era visto na sociedade colonial também como símbolo do poder e do prestígio dos senhores, cuja importância social era avalizada pelo número de escravos que possuíam.
A escravidão negra foi implantada durante o século XVII e se intensificou entre os anos de 1700 e 1822, sobretudo pelo grande crescimento do tráfico negreiro. O comércio de escravos entre a África e o Brasil tornou-se um negócio muito lucrativo. O apogeu do afluxo de escravos negros pode ser situado entre 1701 e 1810, quando 1.891.400 africanos foram desembarcados nos portos coloniais.
Nem mesmo com a independência política do Brasil, em 1822, e com a adoção das idéias liberais pelas classes dominantes o tráfico de escravos e a escravidão foram abalados. Neste momento, os senhores só pensavam em se libertar do domínio português que os impedia de expandir livremente seus negócios. Ainda era interessante para eles preservar as estruturas sociais, políticas e econômicas vigentes.
Ainda foram necessárias algumas décadas para que fossem tomadas medidas para reverter a situação dos escravos. Aliás, este será o assunto do próximo item. Por ora, vale lembrar que não eram todos os escravos que se submetiam passivamente à condição que lhe foi imposta. As fugas, as resistências e as revoltas sempre estiveram presentes durante o longo período da escravidão. Existiram centenas de “quilombos” dos mais variados tipos, tamanhos e durações. Os “quilombos” eram criados por escravos negros fugidos que procuraram reconstruir neles as tradicionais formas de associação política, social, cultural e de parentesco existentes na África.
O “quilombo” mais famoso pela sua duração e resistência, foi o de Palmares, estabelecido no interior do atual estado de Alagoas, na Serra da Barriga, sítio arqueológico tombado recentemente. Este “quilombo” se organizou em diferentes aldeias interligadas, sendo constituído por vários milhares de habitantes e possuindo forte organização político-militar.
Como era tratado o escravo
Antes de romper o sol, os negros eram despertados através das badaladas de um sino e formados em fila no terreiro para serem contados pelo feitor e seus ajudantes, que após a contagem rezavam uma oração que era repetida por todos os negros.
Após ingerirem um gole de cachaça e uma xícara de café como alimentação da manhã, os negros eram encaminhados pelo feitor para os penosos labor nas roças, e as oito horas da manhã o almoço era trazido por um dos camaradas do sitio em um grande balaio que continha a panela de feijão que era cozido com gordura e misturado com farinha de mandioca, o angu esparramado em largas folhas de bananeiras, abóbora moranga, couve rasgada e raramente um pedaço de carne de porco fresca ou salgada que era colocada no chão, onde os negros acocoravam-se para encher as suas cuias e iam comer em silêncio, após se saciarem os negros cortavam o fumo de rolo e preparavam sem pressa o seus cigarros feitos com palha de milho, e após o descanso de meia hora os negros continuavam a labuta até às duas horas quando vinha o jantar, e ao por do sol eram conduzidos de volta à fazenda onde todos eram passados em revista pelo feitor e recebiam um prato de canjica adoçada com rapadura como ceia e eram recolhidos a senzala.
E em suas jornadas diárias, os negros também sofriam os mais variados tipos de castigo (, nas cidades o principal castigo era os açoites que eram feitos publicamente nos pelourinhos que constituíam-se em colunas de pedras erguidas em praças pública e que continha na parte superior algumas pontas recurvadas de ferro onde se prendiam os infelizes escravos.
E cujas condenação à pena dos açoites eram anunciados pelos rufos dos tambores para uma grande multidão que se reunia para assistir ao látego do carrasco abater-se sobre o corpo do negro escravo condenado para delírio da multidão excitada que aplaudia, enquanto o chicote abria estrias de sangue no dorso nu do negro escravo que ficava à execração pública.
E um outro método de punição dado aos negros foi o castigo dos bolos que consistia em dar pancada com a palmatória nas palmas das mãos estendidas dos negros, e que provocavam violentas equimoses e ferimentos no apitélio delicado das mãos.
Em algumas fazendas e engenhos, as crueldades dos senhores de engenho e feitores atingiram a extremas e incríveis métodos de castigos ao empregarem no negro o anavalhamento do corpo seguido de salmoura, marcas de ferro em brasa, mutilações, estupros de negras escravas, castração, fraturas dos dentes a marteladas e uma longa e infinita teoria de sadismo requintado. No sul do Brasil, os senhores de engenhos costumavam mandar atar os punhos dos escravos e os penduravam em uma trava horizontal com a cabeça para baixo, e sobre os corpos inteiramente nus, eles untavam de mel ou salmoura para que os negros fossem picados por insetos.
E através de uma série de instrumentos de suplícios que desafiava a imaginação das consciências mais duras para a contenção do negro escravo que houvesse cometido qualquer falha, e no tronco que era um grande pedaço de madeira retangular aberta em duas metades com buracos maiores para a cabeça e menores para os pés e as mãos dos escravos, e para colocar-se o negro no tronco abriam-se as suas duas metades e se colocavam nos buracos o pescoço, os tornozelos ou os pulsos do escravo e se fechava as extremidades com um grande cadeado, o vira mundo era um instrumento de ferro de tamanho menor que o tronco, porém com o mesmo mecanismo e as mesmas finalidades de prender os pés e as mãos dos escravos, o cepo era um instrumento que consistia num grosso tronco de madeira que o escravo carregava à cabeça, preso por uma longa corrente a uma argola que trazia ao tornozelo.
O libanto era um instrumento que prendia o pescoço do escravo numa argola de ferro de onde saía uma haste longa.
Que poderia terminar com um chocalho em sua extremidade e que servia para dar o sinal quando o negro quando o negro andava, ou com as pontas retorcidas com a finalidade de prender-se aos galhos das árvores para dificultar a fuga do negro pelas matas, as gargalheiras eram colocadas no pescoço dos escravos e dela partiam uma corrente que prendiam os membros do negro ao corpo ou serviam para atrelar os escravos uns aos outros quando transportados dos mercados de escravos para as fazendas, e através das algemas, machos e peias os negros eram presos pelas mãos aos tornozelos o que impedia do escravo de correr ou andar depressa, com isto dificultava a fuga dos negros, e para os que furtavam e comiam cana ou rapadura escondido era utilizado a mascara, que era feita de folhas de flandes e tomava todo o rosto e possuía alguns orifícios para a respiração do negro, com isto o escravo não podia comer nem beber sem a permissão do feitor, os anjinhos eram um instrumento de suplicio que se prendiam os dedos polegares da vitima em dois anéis que eram comprimidos gradualmente para se obter à força a confissão do escravo incriminado por uma falta grave.
Já no início do século XIX era possível verificar grandes transformações que pouco a pouco modificavam a situação da colônia e o mundo a sua volta. Na Europa, a Revolução Industrial introduziu a máquina na produção e mudou as relações de trabalho. Formaram-se as grandes fábricas e os pequenos artesãos passaram a ser trabalhadores assalariados. Na colônia, a vida urbana ganhou espaço com a criação de estaleiros e de manufaturas de tecidos. A imigração em massa de portugueses para o Brasil foi outro fator novo no cenário do Brasil colonial.
Mesmo com todos esses avanços foi somente na metade do século que começaram a ser tomadas medidas efetivas para o fim do regime de escravidão. Vamos conhecer os fatores que contribuíram para a abolição:
1850 – promulgação da Lei Eusébio de Queirós, que acabou definitivamente com o tráfico negreiro intercontinental. Com isso, caiu a oferta de escravos, já que eles não podiam mais ser trazidos da África para o Brasil.
1865 – Cresciam as pressões internacionais sobre o Brasil, que era a única nação americana a manter a escravidão.
1871 – Promulgação da Lei Rio Branco, mais conhecida como Lei do Ventre Livre, que estabeleceu a liberdade para os filhos de escravas nascidos depois desta data. Os senhores passaram a enfrentar o problema do progressivo envelhecimento da população escrava, que não poderia mais ser renovada.
1872 – O Recenseamento Geral do Império, primeiro censo demográfico do Brasil, mostrou que os escravos, que um dia foram maioria, agora constituíam apenas 15% do total da população brasileira. O Brasil contou uma população de 9.930.478 pessoas, sendo 1.510.806 escravos e 8.419.672 homens livres.
1880 – O declínio da escravidão se acentuou nos anos 80, quando aumentou o número de alforrias (documentos que concediam a liberdade aos negros), ao lado das fugas em massa e das revoltas dos escravos, desorganizando a produção nas fazendas.
1885 – Assinatura da Lei Saraiva-Cotegipe ou, popularmente, a Lei dos Sexagenários, pela Princesa Isabel, tornando livres os escravos com mais de 60 anos.
1885-1888 – o movimento abolicionista ganhou grande impulso nas áreas cafeeiras, nas quais se concentravam quase dois terços da população escrava do Império.
13 de maio de 1888 – assinatura da Lei Áurea, pela Princesa Isabel.
No Brasil, o regime de escravidão vigorou desde os primeiros anos logo após o descobrimento até o dia 13 de maio de 1888, quando a princesa regente Isabel assinou, utilizando uma caneta de ouro e pedras preciosas, oferecida pelos abolicionistas, a Lei 3.353, mais conhecida como Lei Áurea, libertando os escravos.
A escravidão é um capítulo da História do Brasil. Embora ela tenha sido abolida há 115 anos, não pode ser apagada e suas conseqüências não podem ser ignoradas. A História nos permite conhecer o passado, compreender o presente e pode ajudar a planejar o futuro. Nós vamos contar um pouco dessa história para você. Vamos falar dos negros africanos trazidos para serem escravos no Brasil, quantos eram, como viviam, como era a sociedade da época. Mas, antes disso, confira o texto da Lei Áurea, que fez com que o dia 13 de maio entrasse para a História.
“Declara extinta a escravidão no Brasil. A princesa imperial regente em nome de Sua Majestade o imperador, o senhor D. Pedro II, faz saber a todos os súditos do Império que a Assembléia Geral decretou e ela sancionou a lei seguinte:
Art. 1°: É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil.
Art. 2°: Revogam-se as disposições em contrário.
Manda portanto a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da referida lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir e guardar tão inteiramente como nela se contém.
O secretário de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas e interino dos Negócios Estrangeiros, bacharel Rodrigo Augusto da Silva, do Conselho de sua majestade o imperador, o faça imprimir, publicar e correr.
Dado no Palácio do Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1888, 67º da Independência e do Império.
Carta de lei, pela qual Vossa Alteza Imperial manda executar o decreto da Assembléia Geral, que houve por bem sancionar declarando extinta a escravidão no Brasil, como nela se declara.
Para Vossa Alteza Imperial ver“.
Em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel aboliu a escravidão no Brasil, colocando nas ruas milhares de negros que, de uma hora para outra, ficaram sem destino. Com isso agradou a abolicionistas, bateu de frente com escravocratas e para muitos historiadores começou a escrever o epílogo do reinado de seu pai, Pedro II, que cairia pouco mais de um ano mais tarde. Até hoje aplaudida por muitos pelo fim e criticada por outros pelos meios utilizados e também pelos fins, a abolição da escravidão no País ainda é um assunto que encerra muitas discussões. Não houve, como nos Estados Unidos, uma guerra civil dividindo alas contrárias ao tema, não se disparou um tiro sequer para que os escravos ficassem livres ou continuassem presos a grilhões na senzala, mas também não houve uma discussão séria e definitiva sobre o caso. Claro, haviam os fóruns de debates, principalmente nas páginas dos jornais, nas quais brilhava a verve de José do Patrocínio. Mas muitos acreditam que a atitude de Isabel foi mais emocional do que prática. Afinal, não houve preparação suficiente para o fato, ricos senhores de terra que investiram muito em seus escravos ficaram, de uma hora para outra, sem eles e os governos pós-abolição não souberam utilizar o ato da princesa a favor de melhorias sociais.
Problemas da elite
Afinal, a escravidão dominou todos os aspectos da vida brasileira durante o século XIX. O final dessa instituição parecia ter aberto novas portas para uma sociedade mais justa e menos dividida. Mas a libertação dos escravos não podia deixar de ter conseqüências importantes e profundas para as finanças, tanto públicas quanto particulares. “Infelizmente, a irresponsabilidade financeira dos governos após a abolição transformou essa grande oportunidade para a reforma social em um desastre econômico. Esses políticos provocaram inflação, afugentaram investidores nacionais e estrangeiros e arrebentaram a onda de otimismo que se seguiu à emancipação”, explica Schulz. “Em um sentido mais amplo, os ajustes necessários à introdução do trabalho livre resultaram numa crise que durou quase três décadas”, diz o historiador.
Segundo ele, a crise financeira da abolição começou gradativamente. Vários anos poderiam, de acordo com Schulz, servir para o começo desse estudo: 1871, quando a Lei do Ventre Livre determinou que nenhum escravo nasceria no Brasil, ou 1880, quando começou a campanha abolicionista. “Ou, ainda, 1884, quando o Banco do Brasil parou de conceder hipotecas garantidas por escravos”, diz o autor, que escolhe o ano de 1875 como o primeiro a detonar o processo de crise financeira, quando o Brasil sofreu sua última crise como país escravagista. Essa tal crise, explica Schulz, teve como causa externa o início da “grande depressão” mundial do século XIX, e como causa interna a suspensão do Banco Mauá, o que levou muitos brasileiros à bancarrota, criando um sério problema para as elites, que a abolição só veio agravar.
“A crise financeira da abolição pode ser dividida em três partes: um mal-estar pré-abolição, uma ‘bolha’ chamada Encilhamento e um período de tentativas frustradas de estabilização que sucederam ao colapso da bolha”, diz Schulz, elencando outros problemas que advieram à abolição. “O ministério que realizou a abolição entendeu que seria necessário tomar providências financeiras para satisfazer aos fazendeiros e acabou sendo um dos gabinetes mais atuantes do século. A magnitude da mudança, porém, aos olhos dos fazendeiros, merecia medidas ainda mais enérgicas. Os três governos, um monarquista e dois republicanos, que se seguiram ao gabinete abolicionista, triplicaram a moeda em circulação, estimularam a especulação na bolsa de valores e tentaram de todas as maneiras conseguir o apoio dos grandes fazendeiros”, conta o historiador. “Essas ações irresponsáveis criaram uma bolha especulativa chamada de Encilhamento. Embora o estouro dessa bolha tenha sido bastante dramático, a crise continuou por uma década após o Encilhamento.” Ou seja: o que poderia e deveria ser uma alavancada para o progresso do País a partir da extirpação de um mal – a escravidão – acabou se tornando um mal maior ainda, devido à incompetência dos administradores do governo brasileiro. Qualquer economista recém-formado sabe que multiplicar o número da moeda circulante, apoiar a especulação na bolsa e não conter os gastos resultam em uma palavra que mais se assemelha a um dragão voraz: inflação.
A crise econômica que se seguiu à abolição, então, é muito bem trabalhada por Schulz em seu estudo, mostrando desde o problema do sistema financeiro internacional e a crise com os cafeicultores até as tentativas de estabilização da economia e a crescente inflação. Para ilustrar todas suas idéias e explicações, o autor ainda elenca uma série de tabelas, apresentando os gastos governamentais, a capitalização da Bolsa do Rio e o serviço da dívida brasileira. Para quem tem curiosidade sobre o assunto e deseja se aprofundar nesse tema que até hoje gera polêmica, o trabalho de Schulz publicado pela Edusp é um belo instrumento de apoio ao estudo. Talvez, inclusive, explique muita coisa que aconteceu até um passado muito recente e que está, de uma forma ou outra, apenas adormecida.
A longa permanência do negro no Brasil acabou por abrasileirá-lo.
De um lado, o africano se tornou ladino e tornou seus filhos crioulos e mestiços de várias espécies: mulato, pardo, cabra, caboclo. A crioulização e a mestiçagem são temas inevitáveis da história do negro no Brasil.
De outro lado, raros são os aspectos de nossa cultura que não trazem a marca da cultura africana. O assunto já foi muito tratado por historiadores e antropólogos, que estudaram dos negros, a família, a língua, a religião, a música, a dança, a culinária e a arte popular em geral.
Epopéia do negro no Brasil
1454: A bula Papal editada por Nicolau V dá aos portugueses a exclusividade para aprisionar negros para o reino e lá batizá-los.
1549: Tomé de Souza desembarca no Bahia. Com ele vieram provavelmente os primeiros escravos brasileiros.
1630: Data provável da formação do Quilombo dos Palmares. Palmares ocupou a maior área territorial de resistência política à escravidão. Ela foi uma das maiores lutas de resistência popular nas Américas.
1693: Morre a rainha Nznja, tuerreira, aujoiava
1695: Morte de Zumbi dos Palmares. Zumbi dirigiu Palmares num dos seus momentos mais dramáticos. As forças chefiadas pelo bandeirante Domingos Jorge velho destruíram o Quilombo e, depois, assassinaram Zumbi.
1741: Alvará determina que os escravos fugitivos serão marcados com ferro quente com a letra “F” carimbada nas espáduas.
1835: Levante de negros urbanos de Salvador. Segundo historiadores, a Revolta dos Malês foi a mais importante revolta urbana de negros brasileiros, pelo número de revoltosos, grau de organização e objetivos militares. Elas se inscrevem entre as grandes revoltas assistidas pela cidade no século 19: 1807, 1809, 1813, 1826, 1828,1830 e 1844.
1830: É enforcado o Oulomboja Manuel Gonga em Vassouras – RJ.
1833: ë fundado o Jornal “O Homem de cor” por Paula Brito, é o primeiro jornal brasileiro a lutar pelos direitos do negro.
1838: O governo do Sergipe proíbe que portadores de moléstias contagiosas e africanos, escravos ou não freqüentem escolas públicas.
1850: É editada a Lei Euzébio de Queiroz. Ela põe fim ao tráfico de escravos.. Nesse mesmo ano, é editada a lei da terra. A partir dessa lei era proibido ocupar terras no Brasil. Para possuir terra era necessário comprá-la do governo.
1854: Decreto proíbe o negro de aprender a ler e escrever.
1866: O império determina que os negros que serviam no exercito seriam alforriados.
1869: Proibidas a venda de escravos debaixo de pregão e com exposição pública. A lei proíbe a venda de casais separados e de pais e filhos.
1871: É editada a lei do ventre livre. Com ela os filhos de escravos seriam libertos, depois de completarem a maioridade.
1882: Morre o abolicionista Luiz Gama. Sua mãe, Luiza Mahin foi um das principais lideranças na Revolta dos Malês, em Salvador.
1883: Primeira libertação coletiva de escravos negros no Brasil.
1884: Abolição da escravatura negra na província do Amazonas.
1885: É editada a Lei do Sexagenário. A lei Saraiva-Cotegipe liberta os escravos com mais de 65 anos de idade. Segundo dados, a vida útil de um escravo era 15 anos, em média.
1886: O governo proíbe o açoite dos castigos aos escravos.
1888: Promulgada a Lei Áurea. ela extingue a escravidão no Brasil. O país é o último a abolir a escravidão do ocidente.
1890: Decreto sobre a imigração veta o ingresso no país de africanos e asiáticos. O ingresso de imigrantes europeus era liberada pelo governo.
1910: João Cândido, o Almirante negro, lidera a revolta da esquadra (Revolta das Chibatas) contra os castigos físicos praticados contra os marinheiros.
1914: Surge em Campinas a 1° organização sindical de negros. Dela participaram de forma expressiva e determinante as mulheres negras.
1915: Surge o Manelick, o primeiro jornal de negros da capital paulista.
1916: É criado o Centro Cívico Palmares, em São Paulo.
1929: Surge o jornal Quilombo, na cidade do Rio de Janeiro.
1931: Nasce a Frente Negra Brasileira (FNB) que chegou a reunir mais de 100 mil em diversos Estados do país. A organização pleiteava sua transformação em partido político. No ano de 1937, com a instalação do Estado Novo, a FNB é colocada na ilegalidade.
1932: É formado em São Paulo, o Clube do Negro de Cultura Social. Seus dirigentes editavam o jornal O Clarim da Alvorada, um dos mais importantes na história do periodismo racial.
1935: Surge, no Rio de Janeiro, O Movimento Brasileiro Contra o Preconceito Racial.
1936: Laudelina de Campos Mello funda na cidade de Santos a primeira Associação de Empregadas Domesticas no Brasil
1938:É organizada em São Paulo a União Nacional dos Homens de Cor
1944: Abdias Nascimento funda no Rio de Janeiro o Teatro Experimental do Negro.
1945: Renasce o Movimento Negro no país. Surge em São Paulo a Associação do Negro Brasileiro, fundada por ex- militantes da FNB. No Rio de Janeiro é organizado o Comitê Democrático Afro-Brasileiro com o objetivo de defender a constituinte, a anistia e o fim do preconceito racial e de cor. realiza-se a primeira Convenção Negro Brasileira com representantes do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e São Paulo, em São Paulo.
1948: Surgem as entidades, Frente Negra Trabalhista e Cruzada Social do Negro Brasileiro ( São Paulo); Turma Auriverde e Grêmio Literário Cruz e Souza (Minas Gerais) e União Cultural dos Homens de Cor (Rio de Janeiro).
1949: Realiza-se no Rio de Janeiro o Conselho Nacional de Mulheres Negras.
1950: No Rio é aprovada a Lei Afonso Arinos, que condena como contravenção penal a discriminação de raça, cor e religião, também é criado o conselho nacional de mulheres negras.
1954: É fundada em São Paulo a Associação Cultural do Negro.
1969: O governo do general Emílio G. Médici proíbe a publicação de noticias sobre movimento negro e a discriminação racial.
1971: Surge em Porto Alegre o Grupo Palmares.
1974: Morre o poeta Solano “Vento Forte Africano” Trindade. É fundado em Salvador o bloco afro Ilé – Aiê.
1975: No Congresso das Mulheres Brasileiras, realizado no Rio de Janeiro, mulheres negras denunciam as discriminações racial e sexual a que estão submetidas. Realiza-se em São Paulo a Semana do Negro na Arte e na Cultura. O movimento articula apoio às lutas de libertação nacional travadas no continente africano. Surgem várias entidades de combate ao racismo. Em São Paulo surgem o Centro de Estudos da Cultura e da Arte Negra (Cecan), a Associação cristã Beneficente, Movimento Teatral Cultural Negro, Grupo de Teatro Evolução, Associação Cultural e Recreativa Brasil Jovem, Instituto Brasileiro de Estudos Africanistas (IBEA), Federação das Entidades Afro-brasileiras do Estado de São Paulo. No Rio de Janeiro surgem Grupo Latino- Americano, Instituto de Pesquisas da Cultura Negra (IPCN), Escola de Samba Gran Quilombo, Sociedade de Intercâmbio Brasil-África.
1976: O governo da Bahia suprime a exigência de registro policial para os templos de ritos afro-brasileiros.
1977: É assassinado Robson S. Luz. Quatro jovens atletas são discriminados no Clube Regatas Tietê. Nos rastros dessas denuncias surge o Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial, mais tarde, Movimento Negro Unificado (MNU). Na assembléia nacional do MNU é aprovada a comemoração do Dia Nacional de Consciência Negra, em 20 de novembro em celebração a memória do herói negro Zumbi dos Palmares. Surge o Movimento de Mulheres Negras.
1978:Consolidação do MNU Movimento Negro Unificado – São Paulo, É declarado pelo MNU o dia 20 de novembro o dia da consciência negra.
1979: O quesito cor é incluído no recenseamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) por pressão de sociólogos e pesquisadores e segmentos da sociedade.
1982:Morre em Salvador Mestre Pastinha, é também tombado o primeiro terreiro de candomblé do Brasil; o terreiro da Casa Branca ile axê, ia nasso oka Bahia
1986: Tombamento da serra da Barrija local onde se desenvolveu o quilombo dos palmares, a gaúcha Deise Nunes de Souza é coroada Miss Brasil é a primeira Miss Brasil negra.
1987: Fundado o instituto do negro em São Paulo.
1989: Nasce no mês de novembro o jornal Umbandomblé que passou a ser Umbanda & Candomblé, Ciência, Cultura e Magia e hoje conhecido por U&C, Ciência, Cultura e Magia.
1990: É inaugurado no município de Volta redonda – RJ o memorial zumbi dos palmares.
A Cultura Afro-Brasileira
A inserção da população negra na sociedade brasileira se deu pelo trabalho, base da organização econômica e da convivência familiar, social e cultural. A miscigenação avança, com um número cada vez maior de mulatos. Nasce uma religiosidade popular em torno das irmandades católicas e dos terreiros de umbanda e candomblé. Em 1800, cerca de dois terços da população do país – 3 milhões de habitantes – eram formados por negros e mulatos, cativos ou libertos.
A cultura afro-brasileira é uma das que mais se destacam no cenário do sincretismo religioso no Brasil.
A música e a dança dos descendentes africanos são exemplos vivos do que é o patrimônio cultural do continente negro amadurecido ao longo do milênio. Uma história antiga e valiosa pode ser contada através da música, da dança, do teatro, do artesanato, da indumentária e das tradições.
Candomblé
O Candomblé se difundiu no Brasil no século passado com a migração de africanos como escravos para os senhores de terra. A população escrava no Brasil consistia quase totalmente de negros de Angola. No momento da chegada dos nagôs, um século e meio de escravidão havia passado, distribalizando o negro e apagando seus costumes, crenças e sua língua nacional. Mas o elemento africano, resistiu e criou uma forma de cultuar seus deuses através do sincretismo com os santos católicos.
Mesmo levando em conta a pressão social e religiosa, era relativamente fácil para os escravos, na sonolência geral, reinstalar na Bahia as crenças e práticas religiosas que trouxera da África, pois, a igreja católica estava cansada do esforço despendido na criação de irmandades de negros como tentativa de anular toda sua cultura, mas todos os meses novas levas de escravos, adeptos ao culto aos Orixás, desembarcavam na Bahia.
Por volta de 1830 três negras conseguiram fundar o primeiro templo de sua religião na Bahia, conhecida como Ylê Yá Nassó, casa da mãe Nassó. (Nassó seria o título de princesa de uma cidade natal da costa da África). Esta seria a primeira a resistir às opressões católicas, desta casa se originam mais três que sobrevivem até hoje e que fazem parte do grande CANDOMBLÉ DA BAHIA, sendo elas: O Engenho velho ou Casa Branca, Gantóis, cuja ilustre dirigente foi mãe menininha do Gantóis (falecida em 1986) e do Araketu.
Os Candomblés se diversificaram desde 1830, a medida que a religião dos nagôs se firmava, primeiro entre os escravos e for fim, no seio do povo. Hoje há quatro tipos de Candomblé ou Candomblé de quatro nações: Kêtu (povo nagô), Jêje (povo nagô, mas obedientes a uma outra cultura), Angola-congo (povo bantu, este culto é mais brasileirado) e de caboclo (cultuam mais os caboclos, mistura-se com a umbanda).
O Candomblé baseia-se no culto aos Orixás, deuses oriundas das quatro forças da natureza: Terra, Fogo, Água e Ar. Os Orixás são, portanto, forças energéticas, desprovidas de um corpo material. Sua manifestação básica para os seres humanos se dá por meio da incorporação. O ser escolhido pelo orixá, um dos seus descendentes, é chamado de elegum, aquele que tem o privilégio de ser montado por ele. Torna-se o veículo que permite ao orixá voltar à Terra para saudar e receber as provas de respeito de seus descendentes que o evocaram. Cada orixá tem as suas cores, que vibram em seu elemento visto que são energias da natureza, seus animais, suas comidas, seus toques (cânticos), suas saudações, suas insígnias, as suas preferências e suas antipatias, e aí daquele que devendo obediência os irrita.
A síntese de todo o processo seria a busca de um equilíbrio energético entre os seres materiais habitantes da Terra e a energia dos seres que habitam o orum, o suprareal (que tanto poderia localizar-se no céu – como na tradição cristã – como no interior da Terra, ou ainda numa dimensão estranha a essas duas, de acordo com diferentes visões apresentadas por nações e tribos diferentes). Cada ser humano teria um orixá protetor, ao entrar em contato com ele por intermédio dos rituais, estaria cumprindo uma série de obrigações. Em troca, obteria um maior poder sobre suas próprias reservas energéticas, dessa forma teria mais equilíbrio.
Cada pessoa tem dois Orixás. Um deles mantém o status de principal, é chamado de orixá de cabeça, que faz seu filho revelar suas próprias características de maneira marcada. O segundo orixá, ou ajuntó, apesar de distinção hierárquica, tem uma revelação de poder muito forte e marca seu filho, mas de maneira mais sutil. Um seria a personalidade mais visível exteriormente, assim como o corpo de cada pessoa, enquanto o outro seria a face oculta de sua personalidade, menos visível aos que conhecem a pessoa superficialmente, e às potencialidades físicas menos aparentes.
Como qualquer outra religião do mundo, o Candomblé possui cerimoniais específicos para seus adeptos. no seu caso particular, porém, esses ritos mostram singularidades especialíssimas, como a leitura de búzios (um primeiro e ocular contato com os Orixás), a preparação e entrega de alimentos para cada uma das entidades ou as complexas e prolongadas iniciações dos filhos-de-santo. Através da observância desses procedimentos é que o Candomblé religa os humanos aos seres astrais, proporcionando àqueles o equilíbrio desejado na existência.
O candomblé e demais religiões afro-brasileiras tradicionais formaram-se em diferentes áreas do Brasil com diferentes ritos e nomes locais derivados de tradições africanas diversas: candomblé na Bahia, xangô em Pernambuco e Alagoas, tambor de mina no Maranhão e Pará, batuque no Rio Grande do Sul e macumba no Rio de Janeiro.
A organização das religiões negras no Brasil deu-se bastante recentemente, no curso do século XIX. Uma vez que as últimas levas de africanos trazidos para o Novo Mundo durante o período final da escravidão (últimas décadas do século XIX) foram fixadas sobretudo nas cidades e em ocupações urbanas, os africanos desse período puderam viver no Brasil em maior contato uns com os outros, físico e socialmente, com maior mobilidade e, de certo modo, liberdade de movimentos, num processo de interação que não conheceram antes. Este fato propiciou condições sociais favoráveis para a sobrevivência de algumas religiões africanas, com a formação de grupos de culto organizados.
Até o final do século passado, tais religiões estavam consolidadas, mas continuavam a ser religiões étnicas dos grupos negros descendentes dos escravos. No início deste século, no Rio de janeiro, o contato do candomblé com o espiritismo kardecista trazido da França no final do século propiciou o surgimento de uma outra religião afro-brasileira: a umbanda, que tem sido reiteradamente identificada como sendo a religião brasileira por excelência, pois, nascida no Brasil, ela resulta do encontro de tradições africanas, espíritas e católicas.
Desde o início as religiões afro-brasileiras formaram-se em sincretismo com o catolicismo, e em grau menor com religiões indígenas. O culto católico aos santos, numa dimensão popular politeísta, ajustou-se como uma luva ao culto dos panteões africanos. A partir de 1930, a umbanda espraiou-se por todas a regiões do País, sem limites de classe, raça, cor, de modo que todo o País passou a conhecer, pelo menos de nome, divindades como Iemanjá, Ogum, Oxalá etc.
O candomblé, que até 20 ou 30 anos atrás era religião confinada sobretudo na Bahia e Pernambuco e outros locais em que se formara, caracterizando-se ainda uma religião exclusiva dos grupos negros descendentes de escravos, começou a mudar nos anos 60 e a partir de então a se espalhar por todos os lugares, como acontecera antes com a umbanda, oferecendo-se então como religião também voltada para segmentos da população de origem não-africana. Assim o candomblé deixou de ser uma religião exclusiva do segmento negro, passando a ser uma religião para todos. Neste período a umbanda já começara a se propagar também para fora do Brasil.
Durante os anos 1960, com a larga migração do Nordeste em busca das grandes cidades industrializadas no Sudeste, o candomblé começou a penetrar o bem estabelecido território da umbanda, e velhos umbandistas começaram e se iniciar no candomblé, muitos deles abandonando os ritos da umbanda para se estabelecer como pais e mães-de-santo das modalidades mais tradicionais de culto aos orixás. Neste movimento, a umbanda é remetida de novo ao candomblé, sua velha e “verdadeira” raiz original, considerada pelos novos seguidores como sendo mais misteriosa, mais forte, mais poderosa que sua moderna e embranquecida descendente, a umbanda.
Nesse período da história brasileira, as velhas tradições até então preservadas na Bahia e outros pontos do País encontraram excelentes condições econômicas para se reproduzirem e se multiplicarem mais ao sul; o alto custo dos ritos deixou de ser um constrangimento que as pudesse conter. E mais, nesse período, importantes movimentos de classe média buscavam por aquilo que poderia ser tomado como as raízes originais da cultura brasileira. Intelectuais, poetas, estudantes, escritores e artistas participaram desta empreitada, que tantas vezes foi bater à porta das velhas casas de candomblé da Bahia. Ir a Salvador para se ter o destino lido nos búzios pelas mães-de-santo tornou-se um must para muitos, uma necessidade que preenchia o vazio aberto por um estilo de vida moderno e secularizado tão enfaticamente constituído com as mudanças sociais que demarcavam o jeito de viver nas cidades industrializadas do Sudeste, estilo de vida já, quem sabe?, eivado de tantas desilusões.
O candomblé encontrou condições sociais, econômicas e culturais muito favoráveis para o seu renascimento num novo território, em que a presença de instituições de origem negra até então pouco contavam. Nos novos terreiros de orixás que foram se criando então, entretanto, podiam ser encontrados pobres de todas as origens étnicas e raciais. Eles se interessaram pelo candomblé. E os terreiros cresceram às centenas.
O termo candomblé designe vários ritos com diferentes ênfases culturais, aos quais os seguidores dão o nome de “nações” (Lima, 1984). Basicamente, as culturas africanas que foram as principais fontes culturais para as atuais “nações” de candomblé vieram da área cultural banto (onde hoje estão os países da Angola, Congo, Gabão, Zaire e Moçambique) e da região sudanesa do Golfo da Guiné, que contribuiu com os iorubás e os ewê-fons, circunscritos principalmente aos atuais território da Nigéria e Benin. Mas estas origens na verdade se interpenetram tanto no Brasil como na origem africana. Fonte: Cultura Afro-Brasileira
A arte da Capoeira
Pouco pode se afirmar a cerca da origem da capoeira, devido à falta de documentação. Porém, através da tradição oral e de raros registros, sabe-se que foram os africanos escravizados, aqui no Brasil, que desenvolveram essa arte.
Os negros aprisionados na África e trazidos para o Brasil eram de várias nações e regiões daquele continente, e cada um desses grupos possuía sua própria cultura como, danças, músicas, lutas, religiões, seus rituais etc; aqui chegando já na condição de escravos houve uma grande mistura dos membros desses grupos, e na convivência entre si eles foram absorvendo partes dos conhecimentos de outros.
Neste ponto teria surgido a capoeira, mistura da arte de vários povos africanos e seus descendentes, mas em solo brasileiro. Outra teoria muito popular e acreditamos que muito de nós aprendemos na escola, que a Capoeira seria uma luta onde os escravos disfarçavam em forma de dança para poderem praticá-la sem problemas, e assim estariam preparados para futuras fugas.
Mas essa história tem algo de errado, pois por volta de 1841, após a chegada de Dom João VI, que fugiu para o Brasil por razão da invasão das tropas de Napoleão Bonaparte em Portugal.
As manifestações culturais negras como a música e a dança foram muito perseguidas e até proibidas pelos nobres e senhores de escravos, sendo assim, como poderia a capoeira ser disfarçada em dança?
Outra afirmação diz que a Capoeira é de origem Africana, pois existe um ritual praticado pelos jovens guerreiros Mucupes, do sul de Angola, durante a Efundula (quando as meninas passam a condição de mulher), realizavam a dança das zebras com o nome de N’golo. O guerreiro que mais se destacasse poderia escolher sua noiva sem precisar pagar o dote ao pai dela.
Mas esta afirmação também merece reservas, pois para muitos historiadores este ritual seria apenas mais um absorvido e misturado pelos negros escravos na nossas colonização.
Existem ainda várias outras histórias e lendas sobre a origem da Capoeira, mas nenhuma delas tem a documentação necessária para sua confirmação, pois depois do golpe militar conhecido como Proclamação da República no governo de Deodoro da Fonseca, todos os documentos referentes a escravidão no Brasil foram destruídos com a desculpa dos republicanos de que queriam apagar essa vergonha da história do Brasil.
Mas a verdade é que eles assumiram o governo logo após a abolição, e caberia ao novo governo as indenizações necessárias aos donos de escravos, e sem as provas documentais, isto seria quase impossível.
Em 11 de outubro de 1890, foi promulgada a Lei n. 487, de autoria de Sampaio Ferraz, que proibia a prática da capoeira e previa punição de 2 a 6 meses de trabalho forçado na Ilha de Fernando de Noronha.
No art. 402, que tratava “Dos vadios capoeira”, lia-se: “Fazer nas ruas e praças públicas exercícios de agilidade e destreza corporal conhecidos pela denominação capoeiragem; andar em correria, com armas ou instrumentos capazes de produzir uma lesão corporal, provocando tumulto ou desordem, ameaçando pessoa certa ou incerta, ou incutindo temor de algum mal.
Pena – prisão celular de dois a seis meses.
Parágrafo único – é considerada circunstância agravante pertencer o capoeira a algum bando ou malta. Aos chefes e cabeças se imporá a pena em dobro.”
Curioso foi que, como não eram apenas os negros e populares que praticavam a capoeira, a lei acabou atingindo importantes pessoas da nobreza. Exemplo disso foi o conhecido caso de José Elísio dos Reis. Seu pai era o Conde de Matosinhos e proprietário do jornal O País.
Conhecido de todos como praticante da Capoeira, Juca Reis, antes da aprovação da lei, estava em Portugal. Quando retornou ao Brasil, foi preso por Sampaio Ferraz. A sua liberdade foi conseguida graças à influência de Quintino Bocaiúva. Este ameaçou renunciar ao seu cargo de ministro das Relações Exteriores caso Juca Reis não fosse liberto.
Quintino foi ouvido por Marechal Deodoro e o “nobre” capoeira voltou para Portugal.
Os capoeiras continuaram perseguidos por todo o século XIX.
Além da elite, que deles tinha verdadeiro pânico, a população também apoiava a ação dos policiais. O texto publicado no jornal Diário de Notícias, a 19 de janeiro de 1890, exemplifica:
“É polícia das primeiras
É levadinha do diabo
Deu cabo dos capoeiras
Vai dos gatunos dar cabo
Já da navalha afiada
A ninguém o medo aperta
Vai poder a burguesada
Ressonar com a porta aberta
A ir assim poderemos
Andar mui sossegadinhos
Nessa terra viveremos
Como Deus com seus anjinhos
Ai! Assim continuando,
A polícia hemos de ver
As suas portas fechando
Por não ter mais que fazer.”
Fonte: litoralway
Culinária afro-brasileira
O negro introduziu na cozinha o leite de coco-da-baía, o azeite de dendê, confirmou a excelência da pimenta malagueta sobre a do reino, deu ao Brasil o feijão preto, o quiabo, ensinou a fazer vatapá, caruru, mungunzá, acarajé, angu e pamonha.
A cozinha negra, pequena mas forte, fez valer os seus temperos, os verdes, a sua maneira de cozinhar. Modificou os pratos portugueses, substituindo ingredientes; fez a mesma coisa com os pratos da terra; e finalmente criou a cozinha brasileira, descobrindo o chuchu com camarão, ensinando a fazer pratos com camarão seco e a usar as panelas de barro e a colher de pau.
Milagre para o governador tomar sopa
O primeiro negro pisou no Brasil com a armada de Martin Afonso. Negros e mulatos (da Guiné e do Cabo Verde) chegaram aqui em 1549, com o Governador Tomé de Souza, que comia mal e era preconceituoso: entre outras coisas, não admitia sopa de cabeça de peixe, em honra a São João Batista.
Bem que o Padre Nóbrega tentou convencê-lo de que era bobagem, mas Tomé de Souza resistiu, até que o jesuíta mandou deitar a rede ao mar e ela veio só cabeça de peixe, bem fresca e o homem deixou a mania, entrou na sopa.
Da guiné vieram, principalmente, fulas e mandingas, islamitas e gente de bem comer. Os fulas eram de cor opaca, o que resultou no termo “negro fulo” (entrando depois na língua a expressão “fulo de raiva”, para indicar a palidez até do branco). Os mandingas também entraram na língua como novo sinônimo para encantamentos e artes mágicas. Mas os iorubanos ou nagôs, os jejes, os tapas e os haussás, todos sudaneses islamitas e da costa oeste também, fizeram mais pela nossa cozinha porque eram mais aceitos como domésticos do que a gente do sul, o povo de Angola, a maioria de língua banto, ou do que os negros cambindas do Congo, ou os minas, ou os do Moçambique, gente mais forte, mais submissa e mais aproveitada para o serviço pesado.
O africano contribuiu com a difusão do inhame, da cana de açúcar e do dendezeiro, do qual se faz o azeite-de-dendê. O leite de coco, de origem polinésia, foi trazido pelos negros, assim como a pimenta malagueta e a galinha de Angola.
Abará
Bolinho de origem afro-brasileira feito com massa de feijão-fradinho temperada com pimenta, sal, cebola e azeite-de-dendê, algumas vezes com camarão seco, inteiro ou moído e misturado à massa, que é embrulhada em folha de bananeira e cozida em água. (No candomblé, é comida-de-santo, oferecida a Iansã, Obá e Ibeji).
Aberém
Bolinho de origem afro-brasileira, feito de milho ou de arroz moído na pedra, macerado em água, salgado e cozido em folhas de bananeira secas. (No candomblé, é comida-de-santo, oferecida a Omulu e Oxumaré).
Abrazô
Bolinho da culinária afro-brasileira, feito de farinha de milho ou de mandioca, apimentado, frito em azeite-de-dendê.
Acaçá
Bolinho da culinária afro-brasileira, feito de milho macerado em água fria e depois moído, cozido e envolvido, ainda morno, em folhas verdes de bananeira. (Acompanha o vatapá ou caruru. Preparado com leite de coco e açúcar, é chamada acaçá de leite.) [No candomblé, é comida-de-santo, oferecida a Oxalá, Nanã, Ibeji, Iemanjá e Exu.
Ado
Doce de origem afro-brasileira feito de milho torrado e moído, misturado com azeite-de-dendê e mel. (No candomblé, é comida-de-santo, oferecida a Oxum).
Aluá
Bebida refrigerante feita de milho, de arroz ou de casca de abacaxi fermentados com açúcar ou rapadura, usada tradicionalmente como oferenda aos orixás nas festas populares de origem africana.
Quibebe
Prato típico do Nordeste, de origem africana, feito de carne-de-sol ou com charque, refogado e cozido com abóbora.
Tem a consistência de uma papa grossa e pode ser temperado com azeite-de-dendê e cheiro verde.
Fonte: terrabrasileira.net
Música e Dança
Na África, ser músico é quase como ser padre, pois a música está ligada às tradições religiosas. E aquele que nasce em uma família de músicos deve seguir o ofício até o fim da vida. Nenhum ritual importante na religiosidade africana é praticado sem música. Canta-se e toca-se para tudo e para todos os santos. No Brasil, o candomblé exerceu forte influência na música de todo o país e é conhecido nas diversas regiões por nomes diferentes. No Maranhão, o culto é conhecido como tambor de mina. Do Rio Grande do Norte até Sergipe, o candomblé recebe o nome de xangô. Já no Rio Grande do Sul, o nome corrente é simplesmente batuque.
Séculos de miscigenação com mulçumanos do norte da África justificam a enorme permissividade de Portugal com relação a determinadas práticas musicais e religiosas: os batuques. Nos Estados Unidos, por exemplo, os negros nunca puderam tocar seus tambores.
No candomblé usam-se três tambores de timbres diferentes e um agogô, instrumento de ferro que repercute como um sino, para acompanhar as cantigas levadas pelos pais e mães-de-santo na condução das cerimônias religiosas. Ainda hoje a língua dos cânticos preserva palavras da língua original.
Batuque é a denominação genérica para as danças dos negros africanos. Carimbó, tambor de criola, bambelô, zambê, candomblé, samba de roda, jongo, caxambu são alguns dos batuques ainda praticados em todo o Brasil, principalmente nas ocasiões em que os negros se reúnem para festejar ou lembrar a escravidão. A palavra “batuque” aparece nos relatos mais antigos da nossa história. No entanto, não se sabe se ela se refere a uma dança de sapateados e palmas ou a um ritual religioso. Sabe-se, porém, que os senhores tinham total desprezo pelas práticas culturais africanas por considerá-las obscenas. A umbigada, gesto em que os ventres do homem e da mulher se encontram no ponto culminante da música, era uma das danças desprezadas pelos senhores de engenho.
Samba – O samba verdadeiro era de lamento, pois era assim que o negro lamentava a sua vida. O samba é uma dança animada com um ritmo forte e característico. Originou da África e foi levado para a Bahia pelos escravos enviados para trabalhar nas plantações de açúcar. A dança gradualmente perdeu sua natureza ritualista e eventualmente se tornou a dança nacional brasileira. Na época de carnaval no Rio de Janeiro que colocou o samba no mapa ocidental, os baianos das plantações de açúcar viajavam das aldeias até o Rio para as festas anuais. Gradualmente a batida sutil e a nuança interpretativa do samba levavam-nos rua acima dançando nos cafés e eventualmente até nos salões de baile, tornou-se a alma dança do Brasil. Originalmente a dança teve movimentos de mão muito característico, derivados de sua função ritualista, quando eram segurados pequenos recipientes de ervas aromáticas em cada uma das mãos e eram aproximadas do nariz do dançarino cuja fragrância excitava. Havia muito trabalho de solo e antes de se tornar uma dança de salão, teve passos incorporados do maxixe. Os grandes dançarinos americanos, Irene e Castelo de Vernou, usou o samba nas suas rotinas profissionais, e assim começou a se espalhar. Mas provavelmente foi Carmem Miranda, a brasileira mais conhecida de todos, que com tremenda vitalidade e perícia de atriz, colocou o samba como o mais excitante e contagiante do mundo. No Brasil o desfile das escolas de samba, cresceu e o País desenvolveu seu próprio ballet artístico com ritmo de samba e movimentos básicos.
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