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quarta-feira, 16 de junho de 2010

Prefeituras admitem desastre em pré-escolas do país

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Seis capitais analisadas em estudo do MEC tiveram média medíocre, de 3,4
Letícia Casado, do R7
Ricardo Fonseca/Secom/DivulgaçãoFoto por Ricardo Fonseca/Secom/Divulgação
Creches tiveram nota 3,3 em uma escala de 0 a 10, em estudo feito pelo MEC
As administrações de seis capitais avaliadas pelo MEC (Ministério da Educação) - Belém, Teresina, Fortaleza, Campo Grande, Rio de Janeiro e Florianópolis - admitiram os problemas encontrados nas creches e pré-escolas. Segundo elas, as deficiências "formam o retrato" do ensino infantil brasileiro. A média das pré-escolas ficou com nota 3,4 em uma escala de 0 a 10, o que é considerado “básico” (o mínimo para uma instituição funcionar), na avaliação dos pesquisadores. As creches tiveram média de 3,3.  Foram avaliadas 147 instituições de ensino localizadas nesses municípios pela pesquisa "Educação Infantil no Brasil: avaliação qualitativa e quantitativa", divulgada na última segunda-feira (14). O estudo foi realizado  em parceria com BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e a Fundação Carlos Chagas.
Teresina, a capital do Piauí, recebeu as notas mais baixas entre as cidades avaliadas. Numa escala de 1 a 10, o município obteve 2,3 pontos na avaliação das creches e 2,7 para as pré-escolas, em 30 instituições analisadas. Isso obrigou a prefeitura a fazer mudanças no sistema local, segundo Ribamar Tôrres, secretário de educação da capital.

- Não considero a pesquisa pontual. É realmente uma mostra de como está a situação na cidade.
A impressão foi a mesma de Sônia Fernandes, diretora de educação de Florianópolis e representante da secretaria de educação. A cidade teve as maiores notas no estudo.

- A pesquisa é um recorte e mostra a realidade como ela é.

Veja abaixo as notas de cada uma das cidades, em uma escala de 1 a 10:

Cidades Número de escolas avaliadas Nota das creches Nota das pré-escolas
Belém 19 2,7 3,2
Campo Grande 30 2,8 3,6
Florianópolis 30 4,4 4,7
Teresina 30 2,3 2,7
Fortaleza 20 2,7 2,7
Rio de Janeiro 18 3,9 3,8
Total 147 3,3 3,4
Quase 87% das creches em seis capitais brasileiras tiveram nota menor ou igual a 5. Entre as pré-escolas, 72% tiveram nota igual ou abaixo da média ideal. Entre as que foram consideradas muito ruins, com notas de 1 a 3, estão quase 50% das creches avaliadas. Outras 37,4% tiveram pontuação entre 3 e 5, abaixo ou igual à média. A minoria obteve nota adequada (12,1%), entre 5 e 7 pontos, e boa (1,1%), entre 7 e 8,5 pontos. Nenhuma das escolas avaliadas alcançou padrão excelente, com nota entre 8,5 e 10.

Resultados
As secretarias municipais não apenas reconheceram os problemas como disseram estar tomando medidas para melhorar as condições do ensino infantil.

Em Fortaleza, foi elaborada uma política de educação infantil, que passou a ser incluída no plano municipal de ensino, exemplifica a representante do governo local, Francisca Francileide Pinto.

- Fizemos também a implementação da Rede dos Pais com os problemas que eles apontam.

Além disso, ela cita um programa de capacitação de profissionais e a promoção de concursos para que 100% dos professores fossem escolhidos por estes processos seletivos.


As cidades receberam o resultado da pesquisa em dezembro de 2009, e assim puderam promover mudanças, durante o primeiro semestre deste ano.

Desafio

Alguns gestores de Campo Grande não se sentiram identificados com a pesquisa, diz a secretaria Maria Cecília Amendola da Motta. O que mais a decepcionou foram as críticas em relação às atividades pedagógicas desenvolvidas pelos professores. Uma delas eram as “brincadeiras nas áreas externas”.

- Campo Grande é uma cidade maravilhosa, cheia de verde. Mesmo assim as crianças não vão para pátio!

A secretária do Rio de Janeiro, Claúdia Taftin, diz ter percebido que o grande número de profissionais da educação com diploma universitário “não é suficiente”.

- Os professores pedem socorro. Percebemos que eles precisam de orientação especifica.

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