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domingo, 27 de maio de 2012

Turismo para casais liberais

1 comentários

Imagine você e a sua mulher em um cruzeiro luxuoso, partindo da italiana Veneza, para sete dias entre portos europeus. Agora imagine 340 casais liberais a bordo, dos quais 10% (uma margem modesta) desejam levá-la para a cama. Em outras palavras, 34 pessoas querem dar prazer a ela pela próxima semana – com sorte, a vocês dois. E aí, topa participar desse “swing”?
Embora a cena acima possa lhe parecer improvável (dado o seu conservadorismo ou o potencial atrativo da sua mulher), a viagem descrita é real. Será realizada entre os dias 10 e 17 de junho, ao custo de 1500 dólares por pessoa, por agências de turismo especializadas em relacionamentos abertos. Mas não se inscreva antes de saber que nem tudo ali é “troca-troca”.
Os “swinguers” tem diferentes níveis de envolvimento: podem ser apenas exibicionistas/voyers (transam só com o parceiro em público ou gostam de assistir outros casais); curtem ménage à trois (sexo a três, normalmente duas mulheres com um homem); topam a modalidade “soft” (preliminares liberadas, mas penetração só com o próprio parceiro); troca geral (sim, vale tudo).
Entre quatro paredes, vale troca-troca?
Sob a promessa de manter seu nome em sigilo, conversei sobre o assunto com o proprietário da Casal First Tour, responsável pela organização do cruzeiro e de outros eventos voltados a esse nicho no Brasil.
- O que os casais procuram nas festas e viagens ligadas ao “swing”?
A grande frustração dos casais juntos há muito tempo é que a paquera e o sentir-se desejado acabam. Apimentar o sexo no casamento requer muita habilidade: é preciso cumplicidade, confiança, respeito mútuo, limites bem estabelecidos e preocupação com o prazer do outro. Essas pessoas querem evitar que a rotina de um longo relacionamento comprometa um amor sólido por falta de tesão. E eles não querem cair nas armadilhas da infidelidade nem ceder às mentiras, mas envolver o companheiro nessa busca. O lema é “Yes Swing, No Traição”. Não são pervertidos que gostam de orgias sem qualquer regra ou conseqüência.
- Quando você começou esse negócio?
Sou casado há 25 anos e tenho uma agência convencional de turismo. Vimos uma oportunidade no mercado de festas liberais. A primeira que realizamos foi em Monte Verde, há sete anos, com apenas 18 casais. Hoje, nossos eventos de final de semana em São Paulo reúnem 130 casais. Também programamos viagens para resorts no Caribe, por exemplo, especializados neste tipo de hóspede. No Brasil, existe apenas uma única pousada para atender esse nicho – fica em Porto Seguro, mas não há placas na porta e é bem possível que os vizinhos não saibam o que acontece nos chalés.
- Quem costuma tomar a iniciativa de procurar a agência? Esses clientes se preocupam com o anonimato?
Geralmente, a ideia de conhecer o swing parte dos homens – até porque ter uma amante traz riscos e muita dor de cabeça. O casal conversa até ter coragem de ir a uma festa. A mulher comanda a situação sempre: se ela não quiser ou não se sentir à vontade, não rola. Todos têm muito receio no início, tanto que 90% do meu trabalho é preservar a identidade dessas pessoas. Elas fogem de onde residem para curtir sua sexualidade, morrem de medo de serem reconhecidos. Existe um preconceito grande contra casais liberais…
Lounge de uma das festas organizadas pela Casal First Tour
- Por que esse preconceito todo?
As casas de swing em São Paulo mostradas pela mídia distorceram completamente o conceito: lá ninguém conhece ninguém, não há conversa, mal sabe o nome de quem está transando com você, uma mulher fica com 12 caras ao mesmo tempo… São lugares frequentados por molecada e garotas de programa. Não tem nada a ver com o que oferecemos!
- Qual a diferença disso para os eventos que vocês promovem? O que rola neles?
Filtramos o público através de indicações de casais conhecidos e conversamos por telefone antes de aceitá-los como clientes. É uma rede confiável de relacionamentos, com gente com boa condição econômica e alto nível de escolaridade. O ambiente é seguro: câmeras fotográficas e celulares, por exemplo, são estritamente proibidos. Nas viagens, todos ficam hospedados em hotéis convencionais. Organizamos jantares, churrascos e baladas para que eles possam conversar e se conhecer antes de botar as fantasias em prática. O que rola é com naturalidade, seja no meio da galera ou na privacidade do quarto. Vários casais vão só para ver mesmo, querem apimentar o sexo em casa.
- É preciso ser bem-resolvido para entrar nessa, não? Imagino que nem todos conseguem…
Sim! No verdadeiro swing, o casal busca contato sexual com outro casal, determinado por códigos claros. A regra número um é não se envolver emocionalmente. Já vi barracos, cenas de ciúmes entre casais novatos que estavam ali para parecer moderninhos. Antes de ir a uma festa dessas, é preciso conversar muito e namorar bastante. Se você não faz isso com a sua mulher, alguém no swing vai fazer e ela pode te achar uma péssima opção. O relacionamento tem que ser ótimo mesmo sem o swing. Se achar que vai salvar o casamento… não recomendo que entre nessa.
- Ver outro transando com o(a) seu(sua) parceiro(a) não gera um sentimento de competição e até uma comparação? Do tipo: “ela não geme tanto assim comigo?”
Para quem pratica o swing, assistir o seu parceiro ou parceira tendo prazer é uma delícia. E isso basta. Claro que, no começo, tudo soa bem esquisito. Depois, aumenta muito a intimidade com o outro. Os homens se sentem à vontade para dizer à esposa: “Nossa, amor, olha que bunda bonita daquela mulher”. E é capaz de ouvirem: “Também gostei, querido”.
ps.
aos leitores que estranharam a ausência de posts, a blogueira aqui estava de férias. casou e saiu em lua de mel – para colocar um pouco da teoria em prática.

Um comentário:

Anônimo disse...

pobre é corno, rico é swinger

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