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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Tempo para aprendizagens

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Como materializar segundo Ramal (2000) “outras formas de ensinar, de organizar a escola (o conhecimento) e, é claro, de avaliar” se nosso tempo ainda se assenta na aprendizagem bancária e mecânica, como bem disse Pesce (2008) "objetivo e linear".

No atual contexto que assentam as bases formativas online não se pode alterar nada, pois já se mostram no tempo da organização presencial, portanto contraditórias e permeadas de obstáculos que inviabilizam qualquer proposta inovadora.

Ramal fala de uma aprendizagem por simulação por conta das múltiplas possibilidades de se redimensionar o objeto em construção (será que não pode ser aplicada a aprendizagem dos sujeitos devido a chrónos?), mas falaria também de uma aprendizagem por dissimulação, no sentido de ocultar, de encobrir o velho como se fosse o novo.

Como bem disse Ramal “Não é possível pensar em formação da autonomia dos estudantes com aulas estruturadas sobre um paradigma tradicional de ensino”. Reverter tal paradigma requer rupturas (com teorias e métodos enraizados) a qual ainda não estamos bastantes amadurecidos para fazê-las.

Após a leitura do texto de Pesce e de Ramal percebemos que não estamos prontos para utilizar ao máximo as tecnologias intelectuais que justificam e fundamentam a tão discutida cibercultura, talvez as próximas gerações estejam quando formadas exclusivamente por educadores onlines e uma verdadeira legislação compatível com a EAD.

Apesar de Ramal apontar para o longínquo 2069, todos nós sabemos que as mudanças na educação não chegam ou chegam tão lentamente que qualquer proposta de mudança nas praticas educativas é coisa de ficção cientifica.

O que considerei mais relevante da professora foi o seguinte:

”Os estudantes toleram cada vez menos os cursos que não têm relação com suas vidas, distantes das necessidades do cotidiano e de seu mundo. Não temos mais nas salas de aula alunos como os do personagem de Robin Williams em Sociedade dos Poetas Mortos. Temos seres mais críticos, atentos e perspicazes, que já vêm para a escola com muitas idéias. E nosso desafio, ao contrário do filme, é descobrir com eles como se pode viver na escola, trabalhando juntos e felizes, o carpe diem que todos nós buscamos”.

Será difícil compreender tão brilhante conclusão?

Para finalizar o que me chamou a atenção no texto de Pesce foi a seguinte questão:

“A utilização das TIC na perspectiva alienante outorga aos sujeitos sociais um perfil não emancipado. A visão crítica aceita a ambigüidade da tecnologia, que, a um só tempo, advoga em favor da emancipação e da alienação, a depender do uso que dela se faça. Não cabe refutar as tecnologias, mas ampliar a compreensão crítica desse instrumental, sem exorcizá-lo e, tampouco, entronizá-lo como panacéia de todos os males”.

Nosso desafio é aceitar tal ambigüidade principalmente quando favorece mais a alienação do que a emancipação.


Autor: Alberto Alves Amorim Filho/Pós-Graduando em Educação a Distância pela Universidade do Estado da Bahia

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